Brasil nega visto para funcionários dos EUA que queriam monitorar urnas

Brasil nega visto para funcionários dos EUA que queriam monitorar urnas
Itamaraty viu risco de uso político da visita após questionamentos sem provas às urnas eletrônicas/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Publicado em 26/07/2026 às 11:00

Da Redação de LexLegal

O governo brasileiro negou vistos a Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam vir ao país para reuniões sobre liberdade de expressão e as eleições de outubro. A decisão foi tomada na sexta-feira (24) e confirmada pelo Itamaraty neste sábado (25).

O pedido mencionava encontros com autoridades eleitorais. O governo, porém, avaliou que a viagem poderia ser usada para interferir no debate político brasileiro, principalmente após novos ataques sem provas contra o sistema eletrônico de votação. 

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Missão despertou reação do governo

Barnes ocupa o cargo de subsecretário de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Samson é subsecretário adjunto da mesma área. Os dois integram uma estrutura do governo de Donald Trump responsável por acompanhar temas eleitorais e de direitos civis em outros países.

A solicitação de visto foi apresentada em 20 de julho. No dia seguinte, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante encontro com diplomatas em Brasília, que as urnas brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic. Ele não apresentou provas. 

TSE contesta informação sobre as urnas

O Tribunal Superior Eleitoral informou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou programas utilizados nas eleições brasileiras. Segundo a corte, os equipamentos foram projetados por técnicos da Justiça Eleitoral e são produzidos por empresas escolhidas em licitações, sob supervisão do tribunal.

A manifestação ganhou peso porque a viagem dos representantes americanos ocorreria durante o calendário eleitoral. Para o governo brasileiro, uma missão estrangeira destinada a questionar o sistema de votação poderia alimentar suspeitas sem evidências e ampliar a tensão política.

Negativa amplia atrito diplomático

A concessão de visto a autoridades estrangeiras depende da autorização do país de destino. Ao rejeitar o pedido, o Brasil impediu a visita nos termos apresentados, mas não encerrou possíveis conversas diplomáticas entre os dois governos.

O Departamento de Estado confirmou que preparava a viagem, mas não detalhou publicamente todos os objetivos. Reportagens nos Estados Unidos apontaram que os representantes pretendiam discutir a integridade das eleições brasileiras.

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A negativa acrescenta um novo ponto de tensão à relação entre Brasília e Washington. O episódio também coloca as urnas eletrônicas no centro da disputa diplomática meses antes da eleição presidencial.

SÃO PAULO WEATHER