Brasil nega visto para funcionários dos EUA que queriam monitorar urnas
Da Redação de LexLegal
O governo brasileiro negou vistos a Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam vir ao país para reuniões sobre liberdade de expressão e as eleições de outubro. A decisão foi tomada na sexta-feira (24) e confirmada pelo Itamaraty neste sábado (25).
O pedido mencionava encontros com autoridades eleitorais. O governo, porém, avaliou que a viagem poderia ser usada para interferir no debate político brasileiro, principalmente após novos ataques sem provas contra o sistema eletrônico de votação.
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Missão despertou reação do governo
Barnes ocupa o cargo de subsecretário de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Samson é subsecretário adjunto da mesma área. Os dois integram uma estrutura do governo de Donald Trump responsável por acompanhar temas eleitorais e de direitos civis em outros países.
A solicitação de visto foi apresentada em 20 de julho. No dia seguinte, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante encontro com diplomatas em Brasília, que as urnas brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic. Ele não apresentou provas.
TSE contesta informação sobre as urnas
O Tribunal Superior Eleitoral informou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou programas utilizados nas eleições brasileiras. Segundo a corte, os equipamentos foram projetados por técnicos da Justiça Eleitoral e são produzidos por empresas escolhidas em licitações, sob supervisão do tribunal.
A manifestação ganhou peso porque a viagem dos representantes americanos ocorreria durante o calendário eleitoral. Para o governo brasileiro, uma missão estrangeira destinada a questionar o sistema de votação poderia alimentar suspeitas sem evidências e ampliar a tensão política.
Negativa amplia atrito diplomático
A concessão de visto a autoridades estrangeiras depende da autorização do país de destino. Ao rejeitar o pedido, o Brasil impediu a visita nos termos apresentados, mas não encerrou possíveis conversas diplomáticas entre os dois governos.
O Departamento de Estado confirmou que preparava a viagem, mas não detalhou publicamente todos os objetivos. Reportagens nos Estados Unidos apontaram que os representantes pretendiam discutir a integridade das eleições brasileiras.
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A negativa acrescenta um novo ponto de tensão à relação entre Brasília e Washington. O episódio também coloca as urnas eletrônicas no centro da disputa diplomática meses antes da eleição presidencial.