China apoia Brasil contra interferência externa, diz Xi Jinping a Lula
Da Redação de LexLegal
O presidente da China, Xi Jinping, declarou apoio ao Brasil na defesa da soberania e na rejeição a interferências externas. A mensagem foi transmitida a Lula durante telefonema realizado na noite de domingo (26), segundo o relato da agência estatal chinesa Xinhua.
A conversa durou mais de uma hora e ocorreu em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil. Os dois líderes também discutiram comércio, tecnologia, minerais críticos, fertilizantes e a atuação conjunta em organismos internacionais.
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Xi oferece apoio político ao Brasil
“O país valoriza profundamente o status internacional e a importante influência do Brasil, apoia o país na salvaguarda de sua soberania e independência, opõe-se à interferência externa e contribuirá para a manutenção da paz e da estabilidade regional e global”, afirmou Xi Jinping, presidente da China.
A declaração foi divulgada pela Xinhua. O comunicado brasileiro sobre a conversa não relacionou diretamente a fala de Xi às tarifas do governo Donald Trump nem às eleições presidenciais de 2026.
Mercosul e China negociam acordo
Lula afirmou que pretende ampliar os mercados e parceiros comerciais do Brasil. Os presidentes concordaram em acelerar as negociações para um acordo entre Mercosul e China, com flexibilidades para acomodar os interesses dos países envolvidos.
O avanço das conversas ocorre enquanto o governo brasileiro busca reduzir a dependência de mercados específicos e responder às novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Tecnologia e minerais entram na pauta
Brasil e China também decidiram aprofundar projetos em inteligência artificial, satélites, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Os minerais críticos são matérias-primas usadas na produção de baterias, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e tecnologias de energia limpa. O tema ganhou peso na disputa internacional por cadeias de produção e acesso a recursos estratégicos.
Gaza, Ucrânia e crise na ONU
Segundo o comunicado brasileiro, Lula e Xi manifestaram preocupação com a crise humanitária em Gaza e com os efeitos econômicos das restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.
Os líderes defenderam ainda a retomada das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Eles citaram o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa criada por Brasil e China em 2024 para reunir países do Sul Global em torno de uma solução diplomática.
Lula e Xi também criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU para responder às guerras atuais e defenderam maior coordenação entre os dois países na ONU e no Brics.
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O telefonema reforça a aproximação entre Brasília e Pequim no momento em que o Brasil enfrenta tarifas dos Estados Unidos e procura novos parceiros. Apesar do contexto, a nota brasileira não informou que o tarifaço de Trump tenha sido discutido diretamente pelos presidentes.