Só 7 de 21 partidos respondem ao STF sobre controle de emendas parlamentares
Da Redação de LexLegal
Sete dos 21 partidos com representação no Congresso já entregaram ao Supremo Tribunal Federal informações sobre eventual participação de dirigentes na destinação de emendas parlamentares. O prazo dado pelo ministro Flávio Dino, porém, ainda está aberto e termina em 14 de agosto.
A cobrança foi feita depois de o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar em entrevista que dirigentes partidários fazem sugestões sobre o destino dessas verbas. Como Valdemar não exerce mandato, a declaração levantou dúvidas sobre a influência de pessoas sem cargo parlamentar na distribuição de recursos públicos.
Leia também: Andy Burnham e a reconstrução estratégica do Reino Unido pós-Brexit
Prazo ainda não terminou
A entrega antecipada por sete partidos não significa que as outras 14 siglas tenham descumprido a decisão. Dino estabeleceu prazo de dez dias úteis, mas a contagem foi adiada pela suspensão dos prazos processuais do STF durante julho. O período começará em 3 de agosto e terminará no dia 14.
Valdemar Costa Neto foi um dos primeiros dirigentes a enviar explicações. As manifestações serão analisadas pelo Supremo e encaminhadas à Polícia Federal, segundo informações divulgadas sobre o processo.
O que o STF quer esclarecer
Dino pediu que as legendas informem se presidentes, dirigentes ou integrantes das estruturas partidárias participam da indicação, negociação ou alteração do destino das emendas. O objetivo é verificar se existe interferência externa em uma decisão formalmente atribuída a deputados e senadores em exercício.
Emendas parlamentares são verbas do Orçamento direcionadas por congressistas a obras, serviços, municípios e entidades. O problema aparece quando a escolha ocorre sem identificação do responsável, sem justificativa pública ou por ordem de alguém que não possui mandato.
A influência partidária, isoladamente, não configura crime. Dirigentes podem discutir prioridades políticas com suas bancadas. A questão jurídica é saber quem tomou a decisão, se o parlamentar assumiu a indicação e se o caminho do dinheiro pode ser identificado pelos órgãos de controle.
Declaração de Valdemar motivou cobrança
Em entrevista, Valdemar afirmou que apresenta sugestões ao líder do PL e que suas indicações costumam ser atendidas. A fala ocorreu após uma etapa da Operação Transparência, que apura a destinação de emendas atribuídas ao dirigente partidário. A investigação menciona pelo menos 21 indicações.
A Polícia Federal apura se servidores e agentes políticos foram usados para direcionar recursos sem revelar quem estava por trás das escolhas. Valdemar contesta as suspeitas e já apresentou informações ao Supremo.
Caso tramita na ADPF das Emendas
A apuração ocorre na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 854, conhecida como ADPF das Emendas. Esse tipo de ação permite ao STF analisar se atos do poder público violam princípios centrais da Constituição.
Dino é o relator do processo, que passou a concentrar decisões sobre transparência, identificação dos responsáveis e fiscalização das emendas. Uma das frentes examina suspeitas envolvendo recursos aprovados pela Comissão de Saúde da Câmara.
O Supremo tem exigido que cada repasse permita identificar o parlamentar responsável, o beneficiário, a finalidade e a execução do dinheiro. O acompanhamento busca impedir que recursos públicos sejam distribuídos por acordos sem registro formal.
Respostas serão enviadas à Polícia Federal
As informações prestadas pelos partidos integrarão a Operação Transparência. A PF poderá comparar as versões dos dirigentes com mensagens, planilhas, documentos da Câmara e registros sobre a indicação das emendas.
A ausência de resposta depois do prazo poderá levar a novas determinações judiciais. Antes de 14 de agosto, contudo, não é possível afirmar que os partidos que ainda não se manifestaram tenham desobedecido à ordem.
Veja também: Entenda a lei que autoriza spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres
O número de sete respostas mostra que parte das siglas decidiu antecipar as explicações, mas o quadro só poderá ser avaliado depois do encerramento do prazo. O ponto central será verificar se as emendas foram indicadas por parlamentares identificados ou controladas por dirigentes sem mandato e sem registro público.