Zuzu Angel: governo retifica certidão de óbito e reconhece crime da ditadura

Zuzu Angel: governo retifica certidão de óbito e reconhece crime da ditadura
Após quase 50 anos, governo retifica certidão de óbito de Zuzu Angel, reconhecendo oficialmente que sua morte foi provocada pela ditadura militar/Instituto Zuzu Angel
Publicado em 29/08/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

Quase cinco décadas após sua morte, a estilista Zuzu Angel teve sua certidão de óbito retificada pelo governo federal. O novo documento reconhece que a morte foi violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática promovida pela ditadura militar (1964–1985).

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A entrega aconteceu durante cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que também contemplou familiares de outras 20 vítimas do regime. A medida segue a Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que mortes de dissidentes políticos sejam registradas como “não naturais” e atribuídas ao Estado.

Um “acidente” forjado

Zuzu Angel morreu em 1976, aos 54 anos, em um suposto acidente de carro na saída do antigo túnel Dois Irmãos, em São Conrado (RJ). Desde os anos 1980, familiares e ativistas apontavam que a versão oficial escondia um crime de Estado. Em 1988, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos já havia reconhecido a responsabilidade da ditadura pelo caso.

A estilista, conhecida por vestir estrelas como Liza Minnelli e Joan Crawford, tornou-se um símbolo da resistência ao denunciar a morte de seu filho, o militante Stuart Angel, assassinado sob tortura em 1971. Um bilhete deixado por ela em 1975 antecipava o desfecho:

“Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho.”

Justiça histórica

Para a secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, Janine Mello, a medida corrige um apagamento:

“Trata-se do reconhecimento da verdade histórica sobre a causa da morte dessas pessoas.”

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, participou remotamente da cerimônia e destacou a importância da memória:

“É importante nomear o óbvio e o vivido para que não se repita.”

O governo federal prevê entregar até 400 certidões retificadas até o fim de 2025, num esforço de reparação histórica às famílias de mortos e desaparecidos políticos.

Outras vítimas reconhecidas

Além de Zuzu Angel, receberam certidões atualizadas nomes como Adriano Fonseca Filho, Antônio Carlos Bicalho Lana, João Batista Franco Drumond, Paulo Costa Ribeiro Bastos e Walkíria Afonso Costa, entre outros.

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A cerimônia reafirma a necessidade de manter viva a memória da ditadura e de reconhecer formalmente os crimes cometidos pelo Estado brasileiro contra seus opositores.


SÃO PAULO WEATHER