Visto para os EUA: o que evitar nas redes, segundo especialistas

Da redação de LexLegal
O processo de solicitação de visto para os Estados Unidos passou a ser ainda mais rigoroso em 2025 com a adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) para monitorar as redes sociais de estrangeiros. A medida, implementada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) durante o segundo mandato de Donald Trump, amplia o controle digital sobre solicitantes de vistos, inclusive brasileiros, e já provoca impactos práticos nas análises consulares.
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Desde abril deste ano, o governo americano passou a utilizar a tecnologia Babel X, uma plataforma de IA voltada à varredura e cruzamento de dados de fontes abertas, incluindo publicações, comentários e curtidas em redes como Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), TikTok e LinkedIn. A triagem não se restringe a palavras-chave ou comportamentos suspeitos relacionados a segurança nacional. Mensagens políticas, especialmente de apoio à Palestina, estão no radar da nova política de fiscalização.
A mudança torna ainda mais importante o histórico digital do candidato a visto. Conforme o próprio DHS admitiu, há monitoramento específico de conteúdos considerados antissemitas, o que inclui, para o governo americano, postagens de apoio a grupos ou causas associadas à Palestina. “Não há espaço nos Estados Unidos para os simpatizantes terroristas do resto do mundo”, afirmou em abril Tricia McLaughlin, Secretária Assistente de Assuntos Públicos do DHS.
O que muda com o uso da IA
A novidade é que o uso da IA amplia a capacidade de rastreamento e automatiza a seleção de candidatos para ‘triagem adicional’, mesmo antes de uma eventual entrevista consular. Antes, os dados eram fornecidos pelos próprios solicitantes no formulário DS-160 (desde 2019), mas o cruzamento era manual e limitado. Agora, com a integração do Babel X, o governo consegue avaliar, de forma massiva, o conteúdo de milhares de perfis.
O risco é alto para quem compartilha mensagens com conteúdo político, especialmente se o conteúdo divergir da atual orientação do governo norte-americano. E isso vale tanto para quem busca visto de estudante, de turismo ou de trabalho.
Especialista alerta para riscos nas redes sociais
O advogado Felipe Alexandre, fundador da Alexandre Law Firm and Associates (Alfa) e com 13 anos de atuação em imigração nos Estados Unidos, explica que o sonho americano ainda é possível, mas o cenário exige atenção redobrada com o conteúdo publicado online.
“Eu não gostaria de repassar essas recomendações, porque acredito firmemente na liberdade de expressão. Mas é preciso dizer que as pessoas que emitirem opiniões a favor da Palestina, ou de causas de grupos e países com as quais a atual gestão do governo americano não concorda, vão reduzir suas chances de sucesso na solicitação por vistos”, afirma.
Felipe também esclarece que ocultar as redes sociais é má estratégia. “Não dar acesso aos posts publicados também gera uma avaliação negativa. O importante é manter as redes abertas, mas, infelizmente, evitar postar ou compartilhar mensagens de tons políticos”.
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Segundo ele, os candidatos devem focar em construir uma presença digital coerente com o tipo de visto pretendido:
- Para quem busca vistos profissionais, recomenda mostrar a rotina de trabalho e publicações relacionadas à carreira.
- Já quem deseja o visto de visitante pode publicar fotos de viagens internacionais anteriores, mostrando histórico de turismo e retorno ao país de origem.
Mais controle e menos previsibilidade
A atual política de uso de IA é herança direta do endurecimento promovido por Donald Trump desde seu primeiro mandato, quando tornou obrigatória a inclusão das contas de redes sociais nos formulários de solicitação de visto. Desde então, o controle digital só aumentou.
Atualmente, a IA ajuda a criar perfis de risco a partir do comportamento nas redes — algo que preocupa advogados e defensores de direitos civis. A tecnologia não distingue nuances culturais, ironias ou contextos locais, o que pode resultar em falsos positivos e recusa indevida de vistos.
Em termos jurídicos, não há uma regra clara que impeça o governo dos EUA de recusar vistos com base em conteúdo digital. A triagem é considerada prerrogativa soberana. O que mudou é a eficiência com que isso é feito — e a falta de transparência nos critérios da IA.
O que o brasileiro precisa saber?
- Redes sociais são parte oficial do processo de visto desde 2019.
- Em 2025, ferramentas de IA ampliam a vigilância sobre posts, curtidas, comentários e conexões.
- Postagens políticas ou associadas a causas contrárias à política externa dos EUA podem pesar negativamente.
- Fechar perfis ou omitir informações também pode ser interpretado como atitude suspeita.
- A coerência entre o conteúdo das redes e o propósito do visto declarado é essencial.
Cenário ainda permite conquistas
Apesar das restrições, milhares de brasileiros continuam obtendo vistos todos os meses. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, mais de 900 mil vistos foram emitidos a brasileiros em 2023, entre categorias de turismo, trabalho e estudo. O país segue entre os maiores emissores de visto da América Latina.
No entanto, as taxas de recusa para o visto de turista (B1/B2) chegaram a 15,48% em 2024, e para o visto de estudante (F1), a aprovação caiu para 65% — uma queda significativa em comparação com anos anteriores.
O que está em jogo não é apenas a análise técnica dos documentos, mas a imagem digital que o candidato projeta.Em um contexto de fiscalização intensificada por inteligência artificial, o comportamento nas redes sociais passou a ser tão relevante quanto o histórico de viagens ou vínculos com o país de origem.
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Para quem sonha em estudar, trabalhar ou visitar os Estados Unidos, o recado é claro: transparência, coerência e prudência digital são elementos-chave para evitar contratempos e ampliar as chances de aprovação. Diante das novas exigências, buscar orientação especializada e adaptar o uso das redes ao perfil do visto solicitado pode fazer toda a diferença.
Postagens em redes sociais são agora monitoradas por inteligência artificial no processo de concessão de visto para os EUA; especialista orienta brasileiros a manter cautela com o conteúdo publicado.