Vista coletiva adia análise do parecer que nega cassação de Carla Zambelli na CCJ

Vista coletiva adia análise do parecer que nega cassação de Carla Zambelli na CCJ
Sessão da CCJ adia votação sobre a cassação do mandato de Carla Zambelli/Lula Marques/Agência Brasil.
Publicado em 03/12/2025 às 8:30

Da redação de LexLegal

A votação do parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) sobre a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi adiada após um pedido de vista coletivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O relator entregou um texto contrário à cassação da parlamentar, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas a análise ficará suspensa por pelo menos duas reuniões do colegiado.

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No parecer, Garcia sustenta que não há provas suficientes de que Zambelli ordenou a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Onde houver sombra de incerteza, se houver lacuna de prova, que prevaleça então o respeito ao voto de quase um milhão de brasileiros que a elegeram”, disse. O deputado também criticou o STF e classificou a decisão da Corte como baseada em “alguns arquivos recebidos por e-mails” e no “testemunho dúbio” do hacker Walter Delgatti Netto, condenado pela invasão ocorrida em janeiro de 2023, quando chegou a inserir no sistema um falso pedido de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão, multa e perda do mandato por envolvimento no ataque ao CNJ. Antes da decretação da prisão, fugiu para a Itália em julho e segue detida no país europeu, à espera da decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição enviado pelo Brasil. O Ministério Público da Itália já se manifestou favoravelmente à extradição.

A decisão sobre seu mandato chegou à CCJ em junho, encaminhada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Após o pedido de vista, a previsão é que a deputada e sua defesa sejam ouvidas na próxima reunião do colegiado. Só então o relatório será votado e, se aprovado, enviado ao plenário da Câmara, onde a cassação exige maioria absoluta dos 513 deputados.

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A reação ao parecer foi imediata. A líder do PSOL, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), classificou o texto como “um tapa na cara do povo brasileiro”. “Nós não estamos julgando aqui a inocência, que obviamente nem eu, nem o Judiciário acham, afinal, ela foi condenada. Estamos discutindo aqui se alguém que está preso em outro país, sem acesso à internet, no xilindró, vai poder seguir com o mandato de deputado federal”, afirma. A deputada também criticou o gasto mensal de aproximadamente R$ 140 mil para manter a estrutura de um gabinete cujo titular está preso.

SÃO PAULO WEATHER