Valor do material escolar varia 276% nas papelarias de SP

Valor do material escolar varia 276% nas papelarias de SP
Pesquisa do Procon-SP mostra que o mesmo material escolar pode ter grandes variações de preço entre papelarias da capital e do interior/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 12/01/2026 às 7:00

Da redação de LexLegal

Uma mesma caneta esferográfica pode custar quase quatro vezes mais dependendo da papelaria em que é comprada na cidade de São Paulo. É o que mostra pesquisa realizada pelo Procon-SP que identificou variação de até 276% no preço de um único produto escolar. O levantamento revela como pequenas diferenças unitárias podem se transformar em um impacto significativo no orçamento das famílias no período de volta às aulas.

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De acordo com o estudo, uma caneta esferográfica encontrada por R$ 1,30 em uma papelaria da zona norte da capital pode chegar a R$ 4,90 em um estabelecimento localizado no centro da cidade. Apesar de se tratar do mesmo produto e da mesma marca, a diferença entre os preços chama atenção para a falta de padronização no comércio varejista de material escolar.

O fenômeno não se restringe à capital paulista. Em Presidente Prudente, no interior do estado, um mesmo marca-texto foi encontrado com preços que variam entre R$ 1,95 e R$ 4,20. Já em Ribeirão Preto, um simples apontador apresentou variação de 196%, podendo ser comprado por R$ 3,20 em uma loja ou por R$ 9,50 em outra.

Segundo o Procon-SP, mesmo quando o valor absoluto parece pequeno, a soma de todas as diferenças pode gerar um impacto relevante no custo final da lista de material escolar. Uma caneta mais cara, um apontador acima da média e um caderno com preço elevado, quando multiplicados pelos diversos itens exigidos pelas escolas, acabam pesando no orçamento familiar.

O órgão ressalta que o período de compras escolares é um dos mais sensíveis para o consumidor, especialmente em um contexto de inflação acumulada e aumento do custo de vida. Por isso, a pesquisa reforça a importância de planejar as compras, comparar preços e não adquirir todos os itens no primeiro estabelecimento encontrado.

Além da pesquisa de preços, o Procon recomenda o reaproveitamento de materiais que estejam em boas condições. Apontadores, réguas, estojos, mochilas e até cadernos parcialmente utilizados podem reduzir consideravelmente o gasto total. Essa prática também contribui para a redução do desperdício e para o consumo mais consciente.

Outro ponto destacado é a possibilidade de descontos para compras em maior volume. Algumas papelarias oferecem condições especiais para clientes que compram grandes quantidades de um mesmo produto. Nesse caso, uma alternativa é a compra coletiva, em que pais e responsáveis se organizam para adquirir materiais em conjunto e negociar melhores preços.

O Procon também alerta para a importância de observar as diferenças de preço de acordo com o meio de pagamento. Alguns estabelecimentos praticam valores distintos para pagamentos via Pix, dinheiro, cartão de débito ou crédito. Em certos casos, a diferença pode ser suficiente para justificar a escolha de uma forma de pagamento específica.

A pesquisa analisou 134 itens considerados essenciais na lista de material escolar, como apontador, borracha, caderno, caneta esferográfica, giz de cera, cola, lápis de cor, lápis preto, papel sulfite, régua e tesoura. Na cidade de São Paulo, os preços foram coletados em nove estabelecimentos distribuídos por diferentes regiões da capital, o que permitiu uma visão ampla do comportamento do mercado.

Além da capital, o levantamento foi realizado na Baixada Santista e nas cidades de Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba. O objetivo foi mapear o padrão de preços em diferentes regiões do estado e identificar se a variação observada em São Paulo também se repetia no interior e no litoral.

O Procon-SP reforça que a diferença de preços entre estabelecimentos não é ilegal, desde que não haja práticas abusivas ou enganosas. O comércio é livre para definir seus valores, considerando fatores como aluguel, logística, localização, concorrência e estratégia comercial. O papel do consumidor, nesse contexto, é exercer o direito de escolha de forma informada.

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A pesquisa funciona, portanto, como uma ferramenta de transparência e orientação. Ao divulgar os dados, o Procon amplia o poder de negociação do consumidor e contribui para um mercado mais equilibrado, em que o preço não é definido apenas pela conveniência, mas também pela concorrência efetiva entre os estabelecimentos.

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