USP encerra convênio com universidade israelense após pressão de estudantes

Da redação de LexLegal
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) aprovou, por ampla maioria, a antecipação do fim do convênio acadêmico com a Universidade de Haifa, em Israel. A decisão foi tomada em sessão da Congregação realizada após intensos protestos estudantis e manifestações de parte do corpo docente contrárias à parceria. Dos 54 votos possíveis, 46 foram favoráveis à rescisão do acordo, que seguiria vigente até maio de 2026.
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O rompimento ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, marcada pelos ataques israelenses contra cidades palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. As operações militares de Israel começaram após o atentado do grupo Hamas contra civis israelenses, em 2023, e resultaram em milhares de mortos, majoritariamente civis palestinos. O governo dos Estados Unidos chegou a intermediar um cessar-fogo temporário, que permitiu a libertação dos últimos reféns ainda vivos.
A decisão da FFLCH reflete um movimento de repúdio crescente dentro da comunidade acadêmica brasileira às ações do exército israelense, criticadas por organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo relatórios recentes, as ofensivas têm provocado destruição generalizada em infraestrutura essencial e agravado a crise humanitária nos territórios palestinos — que enfrentam, desde a Nakba de 1948, um cenário de deslocamento e vulnerabilidade contínuos.
Em nota, representantes estudantis elogiaram a posição da Congregação e destacaram o caráter ético da medida, associando-a às denúncias de violações de direitos humanos cometidas contra a população palestina. “Foi uma vitória da ética sobre a omissão. A universidade pública brasileira não pode ser cúmplice de quem transforma o conhecimento em instrumento de guerra. Hoje, a FFLCH deu um passo histórico e a USP deve seguir o mesmo caminho”, afirmou o estudante João Conceição, representante discente da Comissão de Cooperação Internacional da FFLCH.
O movimento estudantil tem promovido atos, debates e ocupações desde o início dos bombardeios a Gaza, exigindo que instituições de ensino brasileiras rompam parcerias com universidades e centros de pesquisa ligados a Israel. Para os manifestantes, manter tais acordos é incompatível com os princípios de direitos humanos e de solidariedade internacional que regem o ensino público.
A FFLCH mantém o convênio com a Universidade de Haifa desde 2018, voltado à cooperação científica e intercâmbio acadêmico. Com a decisão, a Congregação encaminhará recomendação formal ao Conselho Universitário da USPpara avaliar a extensão da ruptura às demais unidades da instituição.
Outras universidades públicas já adotaram postura semelhante, entre elas a Unicamp (SP), a Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), que anunciaram o encerramento de parcerias com instituições israelenses após consultas internas.
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Especialistas em relações internacionais apontam que decisões desse tipo expressam um movimento mais amplo de diplomacia acadêmica ativa, em que universidades passam a considerar o contexto político e humanitário na manutenção de cooperações. A medida também reacende o debate sobre o papel das instituições de ensino superior na defesa de valores éticos globais, especialmente em situações de conflito armado e violações de direitos humanos.
A decisão da FFLCH-USP ainda deverá ser formalizada junto à Reitoria da USP, responsável pela comunicação oficial ao Ministério das Relações Exteriores e às instituições parceiras.