UFRJ desenvolve tecnologia para produzir lúpulo em clima tropical

Da Redação de LexLegal
Pesquisadores da Coppe/UFRJ desenvolvem um projeto tecnológico para nacionalizar a cadeia produtiva do lúpulo. A planta, cuja flor é matéria-prima essencial para conferir amargor e aroma à cerveja, também atende indústrias farmacêuticas e de cosméticos. O plano visa repetir o modelo de adaptação biológica aplicado à soja e ao trigo para ambientar a cultura, tradicional de países frios, ao território brasileiro.
Atualmente, o Brasil importa quase a totalidade do insumo que utiliza. Dados de mercado indicam que a demanda interna gira em torno de 7 mil toneladas anuais, movimentando R$ 878 milhões, enquanto a produção nacional supre apenas 1,11% desse total. A pesquisa é conduzida no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo), braço da instituição de ensino fluminense.
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Manejo tecnológico projeta até duas safras e meia por ano
O principal trunfo da pesquisa nacional está na produtividade. Enquanto os grandes exportadores globais colhem apenas uma safra por ano devido ao inverno rigoroso, o uso de suplementação luminosa e técnicas de agricultura de precisão no Brasil possibilita alcançar até 2,5 safras anuais. O projeto foca no desenvolvimento de extratos padronizados por meio de isolamento com gás carbônico, gerando subprodutos de alta rastreabilidade para o mercado industrial.
“Estamos falando de estruturar uma nova cadeia produtiva no país, integrando desde o cultivo com agricultura de precisão até o processamento industrial e o controle de qualidade em laboratório próprio”, explica a coordenadora Amanda Xavier, do Programa de Engenharia de Produção, ao qual o Casulo é vinculado. Segundo Xavier, o polo de processamento centralizará o conhecimento técnico e a inovação para dar escala comercial ao insumo vegetal.
Mapeamento agrícola orienta investimentos privados
Uma cooperação entre a universidade e a Aprolúpulo resultou na publicação do Mapa do Lúpulo Brasileiro. O documento técnico serve para nortear as decisões de fomento regional e focar o melhoramento genético nas variedades com maior capacidade de adaptação ao calor. O mapeamento geográfico também define quais regiões receberão os primeiros distritos de infraestrutura para o beneficiamento pós-colheita.
“Com agricultura de precisão e controle laboratorial, podemos oferecer extratos padronizados que atendam tanto a cervejarias artesanais quanto à indústria farmacêutica”, diz a coordenadora. A coordenadora aponta que os dados estatísticos balizam o planejamento de infraestrutura e a capacitação de produtores.
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“Teremos agora dados para planejar locais de cultivo, demandas de infraestrutura e iniciativas de capacitação técnica. Além disso, o mapa nos ajuda a priorizar pesquisas para melhoramento genético e desenvolvimento de protocolos de pós-colheita adequados ao clima tropical”, acrescenta Xavier. O avanço técnico busca acelerar a substituição de importações e abrir frentes de emprego qualificado no campo.