TSE julga suspensão de pesquisa sobre Flávio Bolsonaro nesta terça

TSE julga suspensão de pesquisa sobre Flávio Bolsonaro nesta terça
Corte vai analisar decisão de Kassio Nunes Marques que mandou retirar levantamento da AtlasIntel do ar/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 09/06/2026 às 14:00

Da Redação de LexLegal

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve decidir nesta terça-feira (9) se mantém ou revoga a decisão do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral do instituto AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A medida foi tomada após ação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento divulgado em maio e que apontava queda nas intenções de voto do senador.

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A decisão determinou que a AtlasIntel retirasse a pesquisa de seus canais oficiais e interrompesse novas divulgações até que o caso seja analisado pelo plenário do tribunal. Em nota, o instituto informou que está colaborando com a Justiça Eleitoral e defendendo a validade técnica do levantamento.

“A situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, afirmou a AtlasIntel.

PL questiona perguntas sobre Banco Master

O questionamento apresentado pelo partido de Flávio Bolsonaro se concentra na estrutura do questionário aplicado aos entrevistados.

Segundo a legenda, oito das 49 perguntas tratavam diretamente de temas relacionados ao Banco Master, ao banqueiro Daniel Vorcaro e a conteúdos divulgados na imprensa envolvendo o senador.

Para o PL, a sequência das perguntas teria criado um contexto capaz de influenciar as respostas dos entrevistados. O instituto ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. A pesquisa informou margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Nunes Marques apontou possível indução

Ao conceder a liminar, Kassio Nunes Marques afirmou que a discussão não se limitava a divergências metodológicas.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, argumenta o ministro.

Na decisão, o presidente do TSE acrescentou que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.

O magistrado também destacou que outros levantamentos realizados pelo instituto não apresentavam questionários semelhantes ao utilizado na pesquisa contestada.

Julgamento será acompanhado de perto

O caso será analisado pelo plenário da Corte, formado pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques Neto, Estela Aranha e pelo próprio Kassio Nunes Marques.

Nos bastidores do tribunal, a análise é vista como um dos primeiros testes relevantes da nova composição do TSE sob a presidência de Nunes Marques.

Integrantes da Corte ouvidos pela imprensa apontaram dúvidas sobre a urgência da decisão monocrática, já que a pesquisa havia sido divulgada semanas antes da determinação de retirada.

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O julgamento poderá definir os limites da atuação da Justiça Eleitoral em disputas envolvendo metodologias de pesquisas e questionamentos sobre eventual influência dos questionários na formação da opinião dos entrevistados. A decisão também será observada por institutos de pesquisa, partidos políticos e especialistas em direito eleitoral.

SÃO PAULO WEATHER