Trump, tarifas e a arte da guerra: China reage com firmeza à escalada comercial dos EUA

José Renato Ferraz da Silveira*

Nesta semana a Casa Branca afirmou à imprensa americana que produtos chineses importados pelos Estados Unidos serão alvos de uma tarifa total de 145%. Esse percentual é resultado da soma da taxa anunciada por Donald Trump na quarta (9), de 125%, a uma tarifa de 20% aplicada no início deste ano.
Tal esclarecimento feito por Washington é a quarta mudança anunciada na relação comercial com a China, a segunda maior fonte de importações dos Estados Unidos, em pouco mais de uma semana.
Mesmo assim, a China diz que não vai recuar e os “Estados Unidos estão se colocando contra o resto do mundo”.
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A China também anunciou a entrada em vigor de tarifas de 84% sobre importações americanas. Pequim declarou que está aberta ao diálogo com base no respeito mútuo e ponderou que não aceitará intimidações caso os Estados Unidos continuem a ofensiva. A Embaixada da China nos Estados Unidos resgata fala de Mao Tsé Tung: “Nunca nos renderemos”.
Xiao Lu, autoridade do Ministério do Comércio chinês, durante coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (09) disse que “o vasto potencial do mercado chinês continua a ser explorado, enquanto medidas para estabilizar a economia e o comércio externo vêm sendo implementadas de forma gradual”.
Especialistas afirmam que a firmeza do governo Xi Jinping mostra resiliência da economia chinesa e que o país está cada vez mais voltado para uma autossuficiência em que toda demanda interna não necessite de importações.
De qualquer modo, a inconstância de Trump (muitos recuos) aliado ao risco de colapso financeiro e dano à economia dos Estados Unidos evidenciou que o presidente americano (diferente do que disse) “não sabe o diabo que está fazendo”.
As enormes tarifas que ele “impôs” deixaram os mercados globais em parafuso. Nesse sentido, o pesquisador associado da FGV/ibre, Samuel Pessôa, afirmou que a “política de Trump é meio desastrada (…) e que a democracia americana produziu uma equipe econômica que parece amadora”.
O economista chinês Li Daokui, da Tsinghua, pondera que Trump não entende a “A Arte da Guerra” e que estimulará avanços significativos a China.
Parafraseando Sun Tzu, “devemos avaliar o panorama estratégico antes de qualquer tomada de decisão. Não podemos ocasionar mudanças nesse panorama, mas podemos elaborar planos diante da ocorrência de uma possível mudança”.
Dessa forma, a tarefa é elaborar um plano tático de batalha com base em quaisquer mudanças que possam ocorrer nesse cenário estratégico. Sun Tzu dizia que o poder de evitar a derrota está em nossas mãos.E a China entende bem isso. Sabe se colocar fora do alcance da possibilidade de derrota.
Como afirma o professor de economia da ESPM, Leonardo Trevisan, hoje a China que conhece as regras do jogo, sabe e aprendeu como funciona, estudou como as principais economias ocidentais agem e como aluno exemplar mescla “tradição/renovação” e utilizará a OMC como instrumento/barganha político/diplomático/estratégico de que as disputas comerciais devem ser balizadas pelas atuais regras/leis do comércio internacional.
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“Com muitos cálculos, pode-se vencer uma guerra, com poucos, não. Quão pequena é a possibilidade de vitória daquele que nenhum cálculo faz! Mediante tais critérios, examina-se a situação e o que há de acontecer se tornará claramente visível” (Sun Tzu).
Parece que o errático governo Trump precisa ler/reler a Arte da Guerra de Sun Tzu para lidar com a China e o mundo.
*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2).
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