Trump propõe que EUA assumam controle da Faixa de Gaza durante encontro com Netanyahu

Trump propõe que EUA assumam controle da Faixa de Gaza durante encontro com Netanyahu
O conflito entre Israel e o Hamas, interrompido recentemente por um frágil cessar-fogo, deixou um rastro de destruição em Gaza, com mais de 40 mil mortos e uma crise humanitária em larga escala/Israel Defense Forces
Publicado em 05/02/2025 às 7:38

Da redação de LexLegal

Em uma declaração polêmica feita na Casa Branca nesta terça-feira (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende que o país assuma o controle da Faixa de Gaza, sugerindo que os EUA adotem uma “posição de posse de longo prazo” no território. Trump defendeu que os palestinos não deveriam ser responsáveis pela reconstrução da região, devastada após anos de conflito entre Israel e o grupo Hamas.

“Em vez de [os palestinos] terem que voltar e reconstruí-la, os EUA vão assumir a Faixa de Gaza e faremos algo com ela. Vamos tomar conta”, afirmou Trump durante coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o primeiro líder estrangeiro recebido em Washington durante o segundo mandato do republicano. O presidente norte-americano disse ainda que o objetivo seria “desenvolver a área, criar milhares de empregos” e transformar Gaza em algo “magnífico”.

Netanyahu, por sua vez, não comentou diretamente o plano de Trump, mas reiterou os objetivos de Israel: garantir a segurança do país, eliminar ameaças vindas da Faixa de Gaza e libertar reféns. “Nosso foco é garantir que Gaza nunca mais represente um risco à segurança de Israel”, declarou o premiê.

Realocação de palestinos e críticas internacionais

Em outra declaração polêmica, Trump sugeriu que os cerca de dois milhões de palestinos que vivem atualmente em Gaza deveriam ser reassentados em outros países, como Jordânia e Egito. “Se pudermos encontrar o pedaço certo de terra, ou vários pedaços de terra, e construir alguns lugares realmente bons com bastante dinheiro na região, acho que seria muito melhor do que voltar para Gaza”, disse o presidente a repórteres.

Essa proposta foi imediatamente rejeitada por líderes regionais. O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, afirmou: “Nossa rejeição ao deslocamento dos palestinos é firme e não mudará. A Jordânia é para os jordanianos e a Palestina é para os palestinos.” O Egito também demonstrou repúdio à ideia, defendendo o direito dos palestinos de permanecerem em suas terras.

A Arábia Saudita, por sua vez, divulgou um comunicado reafirmando que não estabelecerá laços diplomáticos com Israel enquanto não houver a criação de um Estado palestino independente, rejeitando a proposta de Trump de reassentar os palestinos fora de Gaza.

Enquanto líderes internacionais criticaram as declarações de Trump, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, elogiou a proposta. “A ideia de ajudá-los a encontrar outros lugares para começar uma vida melhor é excelente. Após anos de glorificação do terrorismo, [os palestinos] poderão estabelecer vidas novas e boas em outros lugares”, disse Smotrich, conhecido por sua postura de extrema direita e defensor da anexação total dos territórios palestinos.

As declarações de Trump levantam preocupações sobre o possível deslocamento forçado de milhões de palestinos, o que, segundo especialistas, poderia ser interpretado como uma forma de limpeza étnica, violando o direito internacional. A proposta ameaça fragilizar ainda mais o já comprometido processo de paz no Oriente Médio, reduzindo as chances da criação de um Estado palestino viável.

Além disso, a sugestão de que os EUA assumam o controle direto da Faixa de Gaza marca uma mudança drástica na política externa americana, tradicionalmente alinhada com a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino. Até o ano passado, o governo dos EUA se posicionava contra o deslocamento forçado de palestinos, com o ex-presidente Joe Biden defendendo a coexistência pacífica entre Israel e Palestina.

O conflito entre Israel e o Hamas, interrompido recentemente por um frágil cessar-fogo, deixou um rastro de destruição em Gaza, com mais de 40 mil mortos e uma crise humanitária em larga escala. A proposta de Trump, longe de oferecer uma solução viável, parece aprofundar ainda mais as divisões na região.

SÃO PAULO WEATHER