Trump minimiza críticas da Otan e insiste em anexar a Groenlândia

Trump minimiza críticas da Otan e insiste em anexar a Groenlândia
Aliança militar liderada pelos EUA mira narcotráfico e influência externa//Reprodução Redes Sociais
Publicado em 08/01/2026 às 6:30

Da redação de LexLegal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a confrontar aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao minimizar as reações contrárias às ameaças de Washington de anexar a Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca. As declarações aprofundam a tensão entre os EUA e países do bloco militar, que classificam a ideia como incompatível com o direito internacional.

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Ao comentar a insatisfação de governos europeus, Trump afirmou que a Otan perderia relevância sem a participação americana. “Rússia e China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA, e duvido que a Otan estaria lá para nós se realmente precisássemos dela”, disse o presidente, acrescentando que sua gestão teria forçado os países-membros a elevar os gastos com defesa.

Trump declarou que, antes de seu governo, grande parte dos integrantes da aliança não cumpria os compromissos financeiros. Segundo ele, a pressão de Washington levou os países a ampliar os investimentos militares de 2% para 5% do Produto Interno Bruto. “A maioria não pagava suas contas, até eu aparecer. Os EUA, ingenuamente, estavam pagando por eles”, afirmou. Em outro momento, sustentou que sua atuação teria sido decisiva para conter o avanço russo na Ucrânia.

As críticas europeias ganharam força após Trump reiterar, nos últimos dias, que considera a Groenlândia estratégica para a segurança dos Estados Unidos. Pouco depois de ações militares americanas contra a Venezuela, o presidente voltou a sugerir que Washington poderia assumir o controle do território, alegando a presença de navios chineses e russos no Mar do Ártico.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a retórica sobre segurança esconde interesses econômicos e geopolíticos mais amplos. Com o avanço do aquecimento global e o derretimento das calotas polares, rotas comerciais pelo Ártico tendem a se tornar mais viáveis e baratas, ampliando a circulação de mercadorias chinesas na região.

A reação institucional europeia foi cautelosa. Em declaração conjunta divulgada nesta terça-feira (6), oito dos 32 países da Otan — França, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Espanha, Itália, Polônia e Dinamarca — defenderam a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia. O texto ressalta que cabe exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia decidir sobre assuntos relacionados ao território, ao mesmo tempo em que classifica os Estados Unidos como parceiro essencial para a segurança do Ártico.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que um eventual ataque de um país da Otan contra outro membro representaria “o fim de tudo” para a aliança militar, em referência às ameaças feitas por Trump.

Para o major-general português Agostinho Costa, especialista em geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, a resposta europeia foi insuficiente. Ele avalia que a postura do presidente americano configura um “bullying puro e duro” contra os aliados. “A Europa está em estado de choque. Os países da Europa vivem uma orfandade em relação aos EUA”, disse.

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Segundo o general, há uma percepção equivocada de que a Otan funciona primordialmente como um escudo defensivo europeu. Na avaliação dele, a aliança reflete interesses estratégicos dos Estados Unidos e sustenta a presença militar americana no continente, incluindo bases e armamentos nucleares. Agostinho Costa também criticou o aumento dos gastos militares europeus após pressão de Washington, afirmando que a medida favorece a indústria bélica dos EUA, em detrimento da capacidade produtiva europeia.

SÃO PAULO WEATHER