Trump impõe tarifa de 25% a países que negociam com o Irã

Trump impõe tarifa de 25% a países que negociam com o Irã
Aliança militar liderada pelos EUA mira narcotráfico e influência externa//Reprodução Redes Sociais
Publicado em 13/01/2026 às 12:01

Da redação de LexLegal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com a República Islâmica do Irã. A decisão, segundo ele, entra em vigor de forma imediata e atinge todas as transações realizadas por esses países com os Estados Unidos, ampliando de forma direta o alcance das sanções econômicas contra Teerã.

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O anúncio foi feito por Trump em sua própria rede social. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, escreveu. Na mesma mensagem, o presidente acrescentou: “Esta ordem é definitiva e irrecorrível”.

Na prática, a medida significa que qualquer país que mantenha comércio com o Irã será penalizado ao exportar ou importar produtos e serviços dos Estados Unidos. Funciona como uma sanção indireta: Washington não apenas restringe o comércio direto com o governo iraniano, mas pressiona parceiros comerciais a escolherem entre negociar com Teerã ou preservar suas relações econômicas com o mercado norte-americano.

Economistas e especialistas em comércio internacional apontam que esse tipo de tarifa é uma ferramenta de política externa que vai além da lógica puramente econômica. Ao elevar custos e criar insegurança jurídica, os Estados Unidos tentam isolar financeiramente o Irã e reduzir sua capacidade de manter fluxos comerciais internacionais.

O anúncio ocorre em meio a uma forte escalada de tensão interna no Irã. Nos últimos dias, o país tem sido palco de protestos de grande dimensão contra o regime, acompanhados também por manifestações pró-governo. Em resposta às mobilizações, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que protestos pacíficos são tolerados, mas atribuiu os distúrbios recentes à ação de agentes externos. “Os distúrbios são provocados por terroristas do estrangeiro”, afirmou, ao sustentar que haveria uma tentativa de justificar uma intervenção militar por parte dos Estados Unidos e de Israel.

Organizações não governamentais internacionais relatam que a repressão às manifestações no Irã já teria provocado ao menos 600 mortes, em números não confirmados oficialmente pelo governo iraniano. As denúncias reforçam a pressão diplomática internacional sobre Teerã e ajudam a explicar o endurecimento do discurso de Washington.

Trump, por sua vez, tem intensificado as ameaças de intervenção. Nos últimos dias, afirmou publicamente que considera opções “muito fortes” contra o Irã, incluindo a possibilidade de ação militar, e disse manter contato com líderes da oposição iraniana. A nova tarifa surge como mais um instrumento dentro desse pacote de pressões políticas, econômicas e diplomáticas.

Especialistas em comércio exterior avaliam que a decisão pode ter impacto relevante em países que mantêm relações comerciais tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã. Para essas nações, a tarifa de 25% pode representar um aumento significativo de custos, afetando cadeias produtivas, contratos de exportação e acordos de fornecimento de energia, especialmente no setor de petróleo e derivados.

Além disso, a medida aumenta a insegurança jurídica no comércio internacional, pois impõe uma sanção de caráter amplo e unilateral, sem passar por organismos multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso abre espaço para disputas diplomáticas e questionamentos sobre a legalidade dessas tarifas no sistema internacional de comércio.

Do ponto de vista político, o anúncio reforça a estratégia de Trump de associar política econômica e política externa. Ao usar tarifas como instrumento de pressão, os Estados Unidos transformam o comércio em ferramenta direta de contenção geopolítica, ampliando o impacto das sanções para além do território iraniano.

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O endurecimento da postura norte-americana ocorre justamente no momento em que o Irã enfrenta uma combinação de crise política interna, pressão internacional e instabilidade regional, cenário que aumenta o risco de uma escalada de conflitos com efeitos imprevisíveis para a economia global.

SÃO PAULO WEATHER