Trump divulga imagem de Maduro detido e fala em controle dos EUA sobre a Venezuela

Da redação de LexLegal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou neste sábado (3) uma imagem do presidente venezuelano Nicolás Maduro após a operação militar que resultou em sua captura. A fotografia foi publicada na rede social Truth Social com a legenda “Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”, em referência ao navio da Marinha americana que, segundo Trump, estaria transportando o líder venezuelano.
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Pouco antes da divulgação da imagem, Trump afirmou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estavam a caminho de Nova York, onde devem ser apresentados à Justiça dos Estados Unidos. De acordo com o presidente americano, ambos foram encontrados “dormindo em um abrigo seguro” no momento em que as forças americanas chegaram ao local. A expectativa, segundo ele, é que o casal compareça a um tribunal já na próxima segunda-feira (4).
Ainda neste sábado, Trump declarou que está avaliando os próximos passos em relação ao futuro político da Venezuela após a captura de Maduro. Uma coletiva de imprensa anunciada para as 13h, no horário de Brasília, acabou atrasando, o que aumentou a expectativa internacional por detalhes adicionais sobre a ofensiva militar realizada em território venezuelano.
Durante entrevista concedida na Flórida, o presidente americano não descartou a possibilidade de manter tropas dos Estados Unidos na Venezuela. “Não temos medo de tropas em solo venezuelano”, afirmou. Segundo Trump, forças americanas já estiveram em território do país vizinho “ontem à noite, em um nível muito alto”. Na sequência, declarou que o objetivo de Washington é garantir que a Venezuela seja “administrada corretamente”.
O presidente também afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém contato direto com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. De acordo com Trump, Rodríguez teria concordado em colaborar com o que os Estados Unidos consideram necessário para uma transição política. “Ela foi bastante graciosa, eu acho”, disse, ao comentar o diálogo entre os dois governos.
Trump sugeriu ainda que uma equipe formada por integrantes de seu governo, incluindo Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deve assumir funções de administração da Venezuela durante um período de transição. “Estamos designando pessoas agora” e “vamos informar quem são essas pessoas”, declarou, ao ser questionado sobre como funcionaria um eventual governo provisório sob supervisão americana.
Em outro momento da coletiva, Trump afirmou que todas as lideranças políticas e militares venezuelanas deveriam compreender que o destino de Maduro poderia se repetir. “O povo venezuelano está livre novamente”, declarou, acrescentando que os Estados Unidos se tornaram uma nação “mais segura” e “mais orgulhosa” após a operação.
Na sequência, o presidente passou a palavra ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que descreveu a ação como “uma grande operação conjunta das forças militares e policiais, executada com perfeição”. Hegseth afirmou que Maduro “teve sua chance”, comparando a situação da Venezuela à de outros países que, segundo ele, desafiaram os interesses americanos.
Trump voltou a discursar afirmando que uma futura parceria entre os Estados Unidos e a Venezuela tornaria o povo venezuelano “rico, independente e seguro”. Segundo ele, venezuelanos que vivem atualmente nos EUA ficariam “extremamente felizes” com a mudança de cenário político. “Eles não vão mais sofrer”, disse.
O presidente americano classificou Maduro como “ditador ilegítimo” e o responsabilizou pela entrada de “quantidades colossais de drogas ilícitas mortais” em território americano, acusando-o de chefiar o chamado Cartel de los Soles. O governo venezuelano sempre negou de forma enfática qualquer vínculo do presidente com organizações criminosas.
Trump afirmou ainda que a economia petrolífera venezuelana estaria em “fracasso” e declarou que empresas americanas devem ingressar no país, investir bilhões de dólares e recuperar a infraestrutura do setor. Segundo ele, isso permitiria que a Venezuela voltasse a gerar receitas expressivas. O presidente acrescentou que os Estados Unidos estão preparados para lançar um segundo ataque “muito maior” contra o país, caso considerem necessário.
De acordo com Trump, havia inicialmente um planejamento para uma “segunda onda” de ataques, mas o sucesso da operação realizada durante a madrugada de sábado teria reduzido a probabilidade de novas ofensivas imediatas. Ainda assim, deixou claro que a opção militar permanece sobre a mesa.
Em outro trecho da coletiva, o presidente afirmou que os Estados Unidos pretendem governar a Venezuela até que uma transição seja concluída. “Não queremos que outra pessoa assuma o poder e nos deparemos com a mesma situação que tivemos nos últimos anos”, disse. Segundo ele, o país ficará sob controle americano “até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”.
Trump não estabeleceu prazo para o fim desse controle e afirmou que caberá aos Estados Unidos decidir quando a Venezuela retornará ao comando de autoridades locais. “Ela precisa ser criteriosa. Porque é isso que nos define”, afirmou, ao justificar a ausência de um cronograma.
Horas depois, Trump voltou a publicar uma nova imagem em sua rede social, reiterando que se tratava de “Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima”. Na fotografia, é possível ver um homem que aparenta ser o presidente venezuelano usando máscara, fones de ouvido e um agasalho cinza.
Segundo informações apuradas pela imprensa americana, uma fonte da CIA infiltrada no governo venezuelano teria sido fundamental para rastrear a localização de Maduro antes da captura. De acordo com a CBS News, a informação foi inicialmente divulgada pelo The New York Times. A fonte integrava uma ampla rede de inteligência que colaborou com a operação, planejada ao longo de meses em conjunto pela CIA e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
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O diretor da CIA, John Ratcliffe, já havia afirmado anteriormente que a agência priorizaria o recrutamento de fontes humanas em operações estratégicas. Não foi possível determinar quando a fonte teria sido recrutada. O governo americano havia oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro.