Trump convida Lula para integrar conselho internacional sobre a reconstrução de Gaza

Trump convida Lula para integrar conselho internacional sobre a reconstrução de Gaza
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em encontro anterior; convite para conselho sobre Gaza ocorre em meio a tensões geopolíticas e críticas mútuas/Ricardo Stuckert/PR
Publicado em 21/01/2026 às 6:30

Da redação de LexLegal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado Conselho da Paz, um colegiado internacional que deverá supervisionar as ações do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês). O órgão será responsável por coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza, território palestino que sofreu destruição em larga escala após anos de ofensivas militares de Israel, com mais de 68 mil mortos, segundo balanços divulgados por organismos internacionais.

Leia também: TSE abre debate sobre regras das Eleições 2026 e amplia foco em redes sociais

O convite foi confirmado pelo próprio Trump durante entrevista coletiva em que fez um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, que se estende até janeiro de 2029. Questionado por uma jornalista, o presidente norte-americano declarou: “Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”.

O Conselho da Paz faz parte da segunda fase do plano de pacificação para Gaza assinado em outubro do ano passado, sob mediação dos Estados Unidos. O acordo previa um cessar-fogo entre Israel e grupos palestinos, embora relatos recentes de agências da ONU apontem a continuidade de bombardeios e confrontos armados na região, o que mantém a instabilidade no território.

Até agora, o Palácio do Planalto não confirmou se Lula aceitará o convite. Fontes do Ministério das Relações Exteriores já haviam informado no fim de semana que o convite foi recebido oficialmente por meio da Embaixada do Brasil em Washington, mas não houve manifestação pública do presidente brasileiro sobre a decisão.

Além de Lula, outros chefes de Estado também foram convidados a integrar o conselho. O presidente da Argentina, Javier Milei, divulgou a carta enviada por Trump em suas redes sociais e afirmou estar honrado com o convite. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também confirmou o recebimento da mensagem e agradeceu publicamente em uma postagem na rede social X. Informações divulgadas pela imprensa internacional indicam que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, além de líderes europeus e autoridades do Egito, também estariam entre os convidados.

Na última sexta-feira (16), a Casa Branca anunciou oficialmente a criação do grupo que atuará na governança de Gaza. Entre os nomes citados estão o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o secretário de Estado, Marco Rubio, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Segundo o comunicado, esse comitê executivo deverá seguir as diretrizes estabelecidas pelo Conselho da Paz. Paralelamente, outro comitê está sendo formado com autoridades de perfil técnico da Turquia e do Catar.

Até o momento, nenhum líder palestino foi indicado para participar das estruturas de governança anunciadas para Gaza, o que tem gerado críticas de analistas internacionais e organizações que defendem a participação direta dos representantes do território nas decisões sobre o futuro da região.

Os convites enviados a Javier Milei e Santiago Peña, que vieram a público, não detalham como será a composição definitiva do conselho nem quais serão suas regras de funcionamento. De acordo com reportagens da imprensa estrangeira, incluindo jornais israelenses, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reagiu de forma negativa à iniciativa, afirmando que o comitê executivo “não foi coordenado com Israel e contraria a política do país”.

Outro ponto que gerou controvérsia foi a divulgação, pela emissora Bloomberg, de um rascunho de estatuto do Conselho da Paz segundo o qual os Estados Unidos estariam solicitando US$ 1 bilhão para garantir assento permanente no colegiado aos países convidados, valor que supera R$ 5 bilhões na cotação atual. A Casa Branca negou essa informação, segundo a agência Reuters.

Enquanto o convite a Lula era confirmado por Trump, o presidente brasileiro fazia críticas públicas ao líder norte-americano durante um evento no Rio Grande do Sul, onde participou de uma cerimônia do programa Minha Casa, Minha Vida. Em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e países europeus, sobretudo pela tentativa do governo norte-americano de avançar sobre a Groenlândia, Lula criticou a forma como Trump se comunica e toma decisões.

“Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, disse Lula. “É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala ainda o que ele falou”.

Veja também: Quem é a servidora pública acusada de hostilizar Flávio Dino em voo comercial e chamar ministro de “lixo”

No mesmo discurso, Lula comentou que evita o uso excessivo de celulares em seu ambiente de trabalho e afirmou que não permite a entrada de pessoas com aparelhos no seu gabinete, numa crítica indireta à centralidade das redes sociais na política internacional contemporânea.

SÃO PAULO WEATHER