Toffoli prorroga inquérito sobre compra do Banco Master pelo BRB por mais 60 dias

Toffoli prorroga inquérito sobre compra do Banco Master pelo BRB por mais 60 dias
Ministros derrubam decisão que garantia paridade de bônus entre ativos e inativos/Marcello Casal jr/Agência Brasil
Publicado em 17/01/2026 às 11:00

Da redação de LexLegal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli prorrogou por mais 60 dias as investigações do inquérito 5026, que tramita sob sigilo no Distrito Federal e apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), responsável pela condução das apurações, e também determinou a intimação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que acompanhe a continuidade do caso.

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O inquérito trata de suspeitas de um esquema de desvios financeiros que pode alcançar cifras bilionárias. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o Banco Master tenha emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro real, o que significa, em termos simples, a oferta de títulos financeiros sem a garantia de recursos suficientes para honrar os pagamentos prometidos aos investidores. A prática compromete a solidez do sistema financeiro e pode caracterizar fraude contra clientes e contra o próprio mercado.

As investigações apontam que o montante envolvido pode chegar a R$ 12 bilhões. Para atrair investidores, o banco teria prometido rentabilidades de até 40% acima da taxa básica praticada no mercado, um patamar considerado atípico e de alto risco no sistema financeiro nacional. Na prática, quando um banco oferece retornos muito superiores aos padrões do setor, cresce a suspeita de que não exista lastro financeiro adequado para sustentar tais promessas.

Além do Banco Master, a Polícia Federal também apura possível participação de dirigentes do Banco de Brasília no esquema. Em março do ano passado, o BRB chegou a anunciar oficialmente a compra do Master, operação que contou com o aval político do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O negócio, no entanto, foi barrado pelo Banco Central (BC), após a autoridade monetária identificar inconsistências nos documentos apresentados pelo Master para comprovar a saúde financeira da instituição.

O Banco Central exerce no Brasil a função de fiscalizar bancos e garantir a estabilidade do sistema financeiro. Para que uma operação de compra de instituição bancária seja aprovada, é necessário demonstrar que os ativos e a carteira de crédito possuem lastro suficiente, isto é, respaldo econômico real. No caso do Master, o BC concluiu que os papéis apresentados não asseguravam a solidez exigida pela legislação.

Ao justificar a prorrogação do prazo investigativo, o ministro Dias Toffoli registrou expressamente:
“Posto isso, considero que as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 (sessenta) dias, devem ser deferidas. Intime-se a Procuradoria-Geral da República”.

Na prática, a decisão mantém abertas as frentes de apuração por mais dois meses, permitindo que a Polícia Federal aprofunde diligências, realize novas perícias e consolide provas que possam sustentar eventuais denúncias criminais. A intimação da PGR garante que o órgão responsável por apresentar acusações ao STF acompanhe de perto os próximos passos da investigação.

O avanço do inquérito ocorre em paralelo à deflagração de mais uma fase da Operação Compliance Zero, realizada na quarta-feira (14), que voltou a ter como foco o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. A operação busca esclarecer a estrutura do suposto esquema financeiro, suas ramificações e o destino dos recursos movimentados.

De acordo com as autoridades, estão sob apuração crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Em termos jurídicos, a gestão fraudulenta ocorre quando dirigentes de uma instituição financeira praticam atos que colocam em risco a saúde econômica do banco, em prejuízo de clientes e do sistema financeiro como um todo. Já a manipulação de mercado envolve práticas que distorcem artificialmente o funcionamento normal de ativos financeiros.

Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão o sequestro e o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. O sequestro de bens é um instrumento jurídico que permite à Justiça impedir que patrimônio suspeito de origem ilícita seja transferido ou ocultado, garantindo eventual ressarcimento aos cofres públicos ou às vítimas.

O caso chama atenção pela combinação de fatores: envolve uma instituição financeira pública regional, uma tentativa de aquisição de banco privado, indícios de fraudes em produtos financeiros amplamente utilizados por investidores e cifras que podem ultrapassar a casa dos bilhões de reais. A complexidade técnica das operações bancárias investigadas também reforça a necessidade de um prazo maior para a coleta e análise de provas.

Do ponto de vista institucional, a apuração reforça o papel do STF na supervisão de inquéritos que envolvem autoridades com foro privilegiado e questões sensíveis ao sistema financeiro. Ao mesmo tempo, evidencia a atuação do Banco Central como órgão de contenção de riscos sistêmicos, ao barrar uma operação que poderia ampliar a instabilidade no setor bancário.

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A prorrogação do inquérito mantém em aberto o futuro da investigação sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e pode aprofundar a responsabilização de gestores públicos e privados caso as suspeitas sejam confirmadas. O desfecho do caso tende a ter impactos relevantes sobre a governança bancária, a fiscalização de produtos financeiros e o controle de riscos no mercado de crédito brasileiro.

SÃO PAULO WEATHER