Tiroteios por disputas entre grupos armados crescem 36% em Salvador, Recife e Rio no 1º semestre, aponta Instituto Fogo Cruzado

Tiroteios por disputas entre grupos armados crescem 36% em Salvador, Recife e Rio no 1º semestre, aponta Instituto Fogo Cruzado
Aumento de tiroteios por disputa entre grupos armados afeta a rotina de grandes centros urbanos e expõe crianças à violência/04 14:23:56
Publicado em 22/07/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

O número de tiroteios resultantes de confrontos entre grupos armados aumentou 36% nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Salvador e Recife no primeiro semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. É o que aponta o relatório semestral divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Instituto Fogo Cruzado, que monitora a violência armada em 49 municípios desses três grandes centros urbanos.

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Foram registrados 253 tiroteios ligados diretamente a disputas territoriais entre facções ou milícias, contra 186 tiroteios no mesmo período de 2024. As consequências são graves: 108 pessoas foram mortas e 64 ficaram feridas, um aumento expressivo frente às 80 mortes e 60 feridos registrados no ano anterior. Também foram contabilizadas 20 vítimas de bala perdida, sendo que 21 crianças e adolescentes foram baleados, das quais 11 morreram — um crescimento de 91% nesse recorte etário.

Para o Instituto, a escalada da violência armada não é apenas uma questão criminal, mas um fenômeno com impactos profundos na vida urbana. “Este é um problema crônico que todos os dias coloca crianças na linha de tiro no Brasil. Saber que os tiroteios aumentaram é saber que mais famílias conviveram com eles, que mais jovens passaram por esse trauma. É preciso responder a isso, ter propostas em níveis estadual e federal para esse problema porque ele não é pequeno”, afirmou Maria Isabel Couto, diretora de Dados e Transparência do Fogo Cruzado.

Rio de Janeiro concentra maioria dos conflitos

No caso do Rio de Janeiro, quatro áreas concentram a maior parte dos tiroteios em disputas entre grupos armados: Morro dos Macacos (57)Complexo do Fubá (54)Complexo do Juramento (54) e Catiri (8). Juntas, essas localidades responderam por 57% dos tiroteios classificados como conflitos entre facções (154 no total) e por 36% das vítimas atingidas por disparos. O bairro da Vila Isabel, na zona norte da capital, teve 66 tiroteios e continua entre os mais afetados, repetindo o cenário de 2024, quando registrou 88 casos.

O relatório também aponta que 41% dos tiroteios mapeados entre janeiro e junho deste ano tiveram presença policial, o que representa 504 casos de um total de 1.231 tiroteios registrados. Em 2024, esse percentual era de 34% no mesmo intervalo.

Recife vê salto de 1 para 18 tiroteios entre facções

Região Metropolitana do Recife apresentou um salto significativo nos tiroteios ligados a disputas entre grupos armados: foram 18 casos neste primeiro semestre, ante apenas um registro em todo o primeiro semestre de 2024. A capital e seus municípios vizinhos registraram 39 vítimas de bala perdida, das quais 31 foram atingidas como vítimas colaterais em homicídios ou tentativas de homicídio.

A cidade de Olinda lidera com 17 vítimas, seguida por Cabo de Santo Agostinho (8) e Recife (8). Também houve registros em Paulista (2)Goiana (1)Jaboatão dos Guararapes (1)Abreu e Lima (1) e São Lourenço da Mata (1).

Duas crianças morreram em decorrência dos confrontos: Helen Santos, de 4 anos, foi atingida por bala perdida em Água Fria, Recife; e Emilly, de 7 anos, baleada em Peixinhos, Olinda.

Salvador mantém número de confrontos, mas mortes aumentam

Já em Salvador e região metropolitana, os números de tiroteios permaneceram estáveis, com 81 casos registrados no semestre, o mesmo número do ano passado. No entanto, houve aumento no número de mortes: foram 45 vítimas fatais, frente a 35 no mesmo período de 2024, além de 28 pessoas feridas.

Respostas institucionais

Procurado, o governo do Estado do Rio de Janeiro não comentou os dados do Fogo Cruzado, mas afirmou em nota que os indicadores oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que os meses de maio e junho de 2025 apresentaram os menores índices de letalidade violenta desde 1991. Segundo a administração estadual, o resultado é fruto de investimentos de mais de R$ 4,5 bilhões em tecnologia, inteligência, treinamento e equipamentos, com foco na proteção da população e dos agentes de segurança.

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Os governos da Bahia e de Pernambuco não responderam aos pedidos de comentário até o fechamento desta edição.

SÃO PAULO WEATHER