Terras raras e minerais críticos colocam Brasil no centro da disputa global

Da Redação de LexLegal
Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos passaram a ocupar posição central nas disputas econômicas e tecnológicas entre países. Embora muitas vezes tratados como sinônimos, esses recursos possuem funções distintas e ganharam relevância com a expansão da transição energética e das tecnologias digitais.
Elementos terras raras são um grupo específico formado por 17 elementos químicos da tabela periódica, incluindo lantanídeos, escândio e ítrio. Esses materiais são essenciais para a produção de tecnologias consideradas estratégicas, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, não são necessariamente escassos na natureza, mas sua extração é complexa porque estão dispersos em diferentes formações geológicas.
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Já os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico de um país. Minerais críticos, por sua vez, são definidos pela existência de riscos no abastecimento, seja por concentração geográfica da produção, instabilidade política ou dificuldades técnicas de exploração e substituição.
A classificação desses minerais varia conforme o país e pode mudar com o tempo, acompanhando mudanças tecnológicas e geopolíticas. Entre os mais citados atualmente estão lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.
Brasil concentra reservas e amplia relevância internacional
O Brasil aparece como um dos principais atores nesse cenário global. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 23% das reservas globais. A maior parte desses depósitos está concentrada em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Além das terras raras, o país se destaca por possuir as maiores reservas de nióbio do planeta, com cerca de 94% do total mundial. Também ocupa posição relevante em grafita e níquel, minerais considerados estratégicos para diversas cadeias industriais.
O governo federal mantém uma lista oficial de minerais estratégicos para o desenvolvimento nacional. Essa relação inclui materiais que precisam ser importados, recursos utilizados em tecnologias avançadas e minerais que contribuem para o superávit da balança comercial.
A presença dessas reservas coloca o Brasil em posição estratégica nas cadeias globais de produção, especialmente em setores ligados à energia limpa, tecnologia e defesa.
Cadeia produtiva ainda limita ganhos econômicos
Apesar do potencial mineral, especialistas apontam que o principal desafio brasileiro está além da extração. O beneficiamento e o refino desses materiais ainda são etapas pouco desenvolvidas no país, o que limita o valor agregado das exportações.
Segundo o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, o modelo atual mantém um padrão histórico de dependência econômica.
“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, diz Jardim.
Essa dinâmica faz com que o país continue exportando matérias-primas e importando produtos industrializados com maior valor agregado, reduzindo o potencial econômico interno.
Impactos ambientais e sociais entram no debate
A expansão da mineração também levanta discussões sobre impactos ambientais e sociais. A exploração desses recursos costuma alterar cursos d’água, provocar degradação ambiental e gerar pressões econômicas e urbanas nas regiões onde ocorre.
“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”, avalia o geógrafo.
O especialista também aponta que, mesmo com avanços tecnológicos, a atividade continuará produzindo efeitos ambientais relevantes.
“É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas, ainda assim, continuariam sendo feitos grandes buracos para extrair esses minérios. Continuariam a desmontar montanhas e a afetar cursos de água. Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que perdemos muitos recursos naturais e os efeitos socioambientais são significativos”, complementa.
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A crescente demanda por minerais ligados à transição energética e à indústria tecnológica indica que a disputa global por esses recursos deve se intensificar nos próximos anos. Nesse contexto, o Brasil aparece como fornecedor relevante, mas ainda enfrenta desafios para transformar reservas minerais em desenvolvimento industrial e tecnológico interno.