Tenente-coronel é indiciado por feminicídio em caso da morte de companheira em SP

Tenente-coronel é indiciado por feminicídio em caso da morte de companheira em SP
Polícia Civil aponta fraude processual e enfraquece versão de suicídio/Gisele Alves Santana/ Instagram
Publicado em 18/03/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por feminicídio e fraude processual o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto pela morte da companheira, a soldado Gisele Alves Santana. A informação foi confirmada à Agência Brasil pelo advogado da família da vítima, José Miguel Silva Junior. O caso ganhou novo rumo após laudos e depoimentos colocarem sob pressão a versão inicial de suicídio.

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Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde vivia com o oficial. Segundo a investigação, foi o próprio tenente-coronel quem chamou socorro e comunicou o caso às autoridades como suicídio. Depois, o registro passou para morte suspeita. Desde o começo, a família contestou essa narrativa.

Os laudos necroscópicos produzidos pelo Instituto Médico Legal reforçaram a linha investigativa que passou a tratar o caso como possível feminicídio. Exames apontaram lesões na face e na região cervical. De acordo com a apuração, os sinais seriam compatíveis com pressão digital e escoriações.

O advogado da família já havia afirmado à Agência Brasil que os vestígios encontrados no pescoço da vítima, somados a outros elementos, davam suporte à hipótese de crime. Em entrevistas, José Miguel Silva Junior sustentou que o conjunto probatório contrariava a leitura inicial de suicídio.

Um dos pontos que chamaram atenção na investigação foi a cronologia dos fatos. Em depoimento, uma vizinha relatou ter ouvido um disparo às 7h28. O acionamento da polícia pelo tenente-coronel, porém, ocorreu às 7h57. Para a família da vítima, esse intervalo de quase 30 minutos precisa ser explicado.

Outro elemento citado pela acusação é uma imagem registrada por socorristas no local. Segundo o advogado, a vítima aparece com a arma na mão, o que, na avaliação dele, seria incomum em casos de suicídio.

A investigação também passou a olhar para o que ocorreu após a morte. De acordo com Silva Junior, três mulheres policiais foram até o apartamento do casal para fazer uma limpeza poucas horas depois da ocorrência. Essa informação, segundo ele, já foi confirmada em depoimentos colhidos pela polícia.

O laudo mais recente tem data de 7 de março, um dia após a exumação do corpo. Mas, segundo a própria apuração, o exame necroscópico feito em 19 de fevereiro, no dia seguinte à morte, já mencionava lesões na face e no pescoço da policial.

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Com o indiciamento por feminicídio e fraude processual, o caso entra em uma fase mais delicada para a defesa do oficial e amplia a pressão sobre a apuração da morte da soldado. A mudança de rumo expõe como inconsistências iniciais, vestígios periciais e relatos de testemunhas podem desmontar rapidamente uma versão apresentada logo após a ocorrência.

SÃO PAULO WEATHER