TCU suspende inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master

TCU suspende inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master
Recurso do BC leva caso ao plenário do Tribunal de Contas/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 09/01/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu suspender a inspeção no Banco Central que havia sido determinada no processo que analisa a liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida ocorreu após a Corte acolher recurso apresentado pelo órgão regulador do sistema financeiro, que questionou a adoção da providência por decisão individual do ministro relator, Jhonatan de Jesus. Com isso, o tema será submetido à apreciação do plenário do TCU.

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A suspensão decorre dos embargos de declaração interpostos pelo Banco Central, nos quais o órgão sustentou que uma medida dessa natureza deveria ser discutida e deliberada de forma colegiada, e não definida monocraticamente. Embora o relator tenha afirmado que esse tipo de recurso não seria o instrumento jurídico mais adequado para contestar a decisão, optou por aplicar, de forma subsidiária, dispositivos do Código de Processo Civil para interromper o andamento do procedimento.

Na decisão, Jhonatan de Jesus explicou que a legislação processual permitiria tanto a rejeição dos embargos quanto a manutenção da inspeção por decisão individual. Ainda assim, diante da repercussão do caso, o ministro considerou mais prudente levar a controvérsia ao plenário da Corte de contas. Segundo ele, a ampla exposição pública do episódio acabou conferindo ao tema uma dimensão institucional que extrapolou o caráter técnico da providência inicialmente determinada.

“Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”, afirmou o relator no despacho.

Origem do impasse

A controvérsia teve início quando Jhonatan de Jesus acolheu uma representação apresentada pelo Ministério Público Federal junto ao TCU. O pedido solicitava a apuração de eventuais falhas na atuação do Banco Central na supervisão do Banco Master e de suas controladas, processo que culminou na decretação da liquidação extrajudicial da instituição financeira.

No curso da análise, o relator avaliou como insuficiente a nota técnica enviada pelo Banco Central para justificar os fundamentos e o encadeamento das decisões que levaram ao encerramento das atividades do banco. Diante disso, determinou a realização de uma inspeção no órgão regulador, com o objetivo de aprofundar a análise sobre a regularidade da supervisão e a adequação das medidas adotadas.

O Banco Central, por sua vez, reagiu à determinação e apresentou embargos, argumentando que a inspeção deveria ser previamente analisada pelo plenário do Tribunal de Contas, em razão de seus impactos institucionais e da sensibilidade do tema.

Liquidação

O Banco Master teve suas atividades encerradas oficialmente pelo Banco Central no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. A investigação apura um esquema de fraudes financeiras que, segundo as autoridades, pode ter movimentado cerca de R$ 17 bilhões por meio da emissão e comercialização de títulos de crédito considerados falsos.

No desdobramento da operação, um dos sócios da instituição, Daniel Vocaro, chegou a ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a aquisição do Banco Master. Outros sócios também foram detidos: Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva.

Posteriormente, a Justiça Federal autorizou que os investigados respondessem em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Eles também ficaram proibidos de exercer atividades no setor financeiro, de manter contato entre si e de deixar o país enquanto durarem as investigações.

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Com a suspensão da inspeção, caberá agora ao plenário do TCU decidir se a apuração sobre a atuação do Banco Central será retomada, redefinida ou descartada. A decisão colegiada deverá esclarecer os limites da atuação do Tribunal de Contas em relação ao órgão regulador do sistema financeiro e estabelecer parâmetros institucionais para casos semelhantes.

SÃO PAULO WEATHER