Tarifas dos EUA podem atingir US$ 651 milhões em exportações de SP

Tarifas dos EUA podem atingir US$ 651 milhões em exportações de SP
Estudo aponta que medidas comerciais dos Estados Unidos ameaçam produtos como etanol, obras de arte e aeronaves/Agência Brasil
Publicado em 13/07/2026 às 17:00

Da Redação de LexLegal

As novas barreiras comerciais estudadas pelos Estados Unidos podem afetar praticamente todos os principais produtos exportados pela cidade de São Paulo para o mercado americano. Um levantamento elaborado pela São Paulo Negócios, com base em dados oficiais do ComexStat e da ApexBrasil, indica que até 93% da pauta exportadora paulistana poderá ser alcançada pelas tarifas atualmente discutidas pelo governo norte-americano.

Leia também: Césio-137: as lições da tragédia que ainda moldam a segurança do trabalho com radiação

Caso a cobrança de 25% seja confirmada, aproximadamente 570 categorias de mercadorias produzidas na capital serão atingidas. Paralelamente, outra investigação conduzida pelas autoridades americanas poderá resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% para centenas de produtos brasileiros, ampliando o impacto sobre empresas exportadoras.

Os Estados Unidos ocupam hoje a segunda posição entre os maiores compradores de produtos da cidade de São Paulo, ficando atrás apenas da China. Em 2025, as exportações para o mercado americano ultrapassaram US$ 700 milhões, distribuídos em mais de 600 tipos diferentes de mercadorias.

Grande parte desse volume está concentrada em poucos segmentos. O etanol lidera a lista de vendas para os Estados Unidos, seguido por obras de arte, helicópteros, aviões e outros produtos industriais e agroindustriais.

O estudo mostra que a tarifa de 12,5% alcançaria cerca de sete em cada dez grupos de produtos exportados pela capital. Quando somadas às mercadorias que também podem sofrer a incidência da tarifa de 25%, o percentual chega a quase 69% de toda a receita obtida com vendas ao mercado americano.

As medidas são consequência de duas investigações abertas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Uma delas examina temas ligados às relações comerciais entre os dois países, como comércio eletrônico, propriedade intelectual, pagamentos digitais, etanol, combate à corrupção e políticas ambientais. Ao final dessa análise, foi proposta uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O segundo procedimento, iniciado neste ano, concentra-se em supostas falhas do Brasil na prevenção ao trabalho forçado. Como resultado preliminar, o órgão americano passou a avaliar a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre determinados produtos nacionais.

O governo brasileiro contestou oficialmente as conclusões da investigação. Em documento encaminhado às autoridades americanas, afirmou que o relatório deixou de considerar informações apresentadas pelo país e adotou conclusões consideradas inconsistentes para justificar a possível sobretaxa.

O tema também ganhou dimensão política. Durante agenda realizada nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que uma eventual aplicação das tarifas neste momento teria repercussões políticas no Brasil e avaliou que o cenário atual seria inadequado para a adoção da medida.

Representantes da indústria, do comércio e do agronegócio dos dois países também passaram a defender uma revisão das propostas. O receio é que o aumento dos custos de importação reduza a competitividade das empresas brasileiras e provoque efeitos em toda a cadeia produtiva.

Especialistas em comércio internacional lembram que tarifas de importação funcionam como um imposto cobrado pelo país comprador sobre produtos estrangeiros. Quando esse custo aumenta, o produto brasileiro tende a perder espaço para concorrentes de outros mercados ou para fabricantes locais, reduzindo exportações e investimentos.

Mesmo antes de qualquer decisão definitiva, empresas exportadoras acompanham as negociações com preocupação. Dependendo do desfecho das investigações, contratos poderão ser renegociados, investimentos adiados e mercados alternativos passarão a ser buscados para reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.

Veja também: CFM proíbe PMMA em preenchimentos e pressiona Anvisa por banimento

Enquanto o governo americano ainda analisa as manifestações apresentadas pelo Brasil, autoridades brasileiras e representantes do setor privado intensificam as negociações diplomáticas para tentar evitar a adoção das novas tarifas e preservar um dos principais mercados de destino das exportações nacionais.

SÃO PAULO WEATHER