Tarifaço dos EUA preocupa setor de autopeças, mas impacto direto deve recair sobre montadoras americanas

Tarifaço dos EUA preocupa setor de autopeças, mas impacto direto deve recair sobre montadoras americanas
Comércio de autopeças no Brasil é voltado ao mercado interno e deve sentir pouco os efeitos diretos do tarifaço de Trump, dizem entidades/CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados
Publicado em 19/07/2025 às 14:00

Da redação de LexLegal

O anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre a imposição de tarifas de 50% a diversos produtos brasileiros gerou apreensão no setor automotivo. No entanto, entidades que representam o comércio e a indústria de autopeças avaliam que os maiores prejuízos tendem a recair sobre montadoras instaladas nos próprios Estados Unidos — e não diretamente sobre o setor nacional.

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Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos (Sincopeças Brasil), Ranieri Leitão, os efeitos do tarifaço deverão ser mais sentidos pelas montadoras norte-americanas que dependem de componentes fabricados no Brasil. “O impacto talvez seja maior para as montadoras de veículos instaladas no mercado norte-americano e que se valem de fornecedores brasileiros. Dentro do Brasil, não enxergamos qualquer alteração no processo de montagem dos veículos”, declarou.

Leitão explicou que o comércio de autopeças no Brasil é voltado majoritariamente ao mercado interno, o que deve amortecer eventuais efeitos diretos da medida adotada por Trump. Ainda assim, o dirigente demonstrou preocupação com os impactos sistêmicos da nova política tarifária. “Qualquer movimento de taxação excessiva é desastroso para os negócios em geral”, alertou.

Indústria monitora impactos

A posição do Sincopeças é compartilhada, em parte, pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), que representa os fabricantes do setor. A entidade informou, por meio de nota, que aguarda a publicação detalhada da legislação americana para avaliar com precisão quais produtos serão afetados pelas tarifas e em que medida.

Segundo o Sindipeças, as fábricas brasileiras produzem peças altamente específicas destinadas a modelos fabricados nos EUA, o que dificulta o redirecionamento desses itens para outros mercados em caso de perda de competitividade. Isso pode resultar em perdas operacionais, mesmo que o volume exportado não seja expressivo em termos proporcionais.

Balança deficitária e dependência mútua

Apesar das preocupações, os dados da balança comercial mostram que o Brasil é estruturalmente mais importador do que exportador de autopeças no comércio com os Estados Unidos. Em 2024, por exemplo, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões em peças e acessórios para veículos aos EUA e importou US$ 1,3 bilhão — ou seja, um déficit de quase US$ 900 milhões. O saldo negativo nesse setor é recorrente desde 2009.

Especialistas apontam que o impacto de curto prazo da nova tarifa poderá ser limitado para o Brasil, mas tende a afetar cadeias globais de produção. Isso porque o setor automotivo opera com uma lógica de interdependência entre países, especialmente em componentes de alta complexidade.

A nova rodada de tarifas anunciada por Trump faz parte de uma escalada nas tensões comerciais internacionais, em especial com países do G20 e integrantes do bloco dos Brics. A medida já gerou reação do governo brasileiro, que classificou a medida como “intimidação comercial” e prometeu buscar diálogo diplomático com Washington e articulação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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SÃO PAULO WEATHER