Tarifaço dos EUA preocupa setor de autopeças, mas impacto direto deve recair sobre montadoras americanas

Da redação de LexLegal
O anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre a imposição de tarifas de 50% a diversos produtos brasileiros gerou apreensão no setor automotivo. No entanto, entidades que representam o comércio e a indústria de autopeças avaliam que os maiores prejuízos tendem a recair sobre montadoras instaladas nos próprios Estados Unidos — e não diretamente sobre o setor nacional.
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Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos (Sincopeças Brasil), Ranieri Leitão, os efeitos do tarifaço deverão ser mais sentidos pelas montadoras norte-americanas que dependem de componentes fabricados no Brasil. “O impacto talvez seja maior para as montadoras de veículos instaladas no mercado norte-americano e que se valem de fornecedores brasileiros. Dentro do Brasil, não enxergamos qualquer alteração no processo de montagem dos veículos”, declarou.
Leitão explicou que o comércio de autopeças no Brasil é voltado majoritariamente ao mercado interno, o que deve amortecer eventuais efeitos diretos da medida adotada por Trump. Ainda assim, o dirigente demonstrou preocupação com os impactos sistêmicos da nova política tarifária. “Qualquer movimento de taxação excessiva é desastroso para os negócios em geral”, alertou.
Indústria monitora impactos
A posição do Sincopeças é compartilhada, em parte, pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), que representa os fabricantes do setor. A entidade informou, por meio de nota, que aguarda a publicação detalhada da legislação americana para avaliar com precisão quais produtos serão afetados pelas tarifas e em que medida.
Segundo o Sindipeças, as fábricas brasileiras produzem peças altamente específicas destinadas a modelos fabricados nos EUA, o que dificulta o redirecionamento desses itens para outros mercados em caso de perda de competitividade. Isso pode resultar em perdas operacionais, mesmo que o volume exportado não seja expressivo em termos proporcionais.
Balança deficitária e dependência mútua
Apesar das preocupações, os dados da balança comercial mostram que o Brasil é estruturalmente mais importador do que exportador de autopeças no comércio com os Estados Unidos. Em 2024, por exemplo, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões em peças e acessórios para veículos aos EUA e importou US$ 1,3 bilhão — ou seja, um déficit de quase US$ 900 milhões. O saldo negativo nesse setor é recorrente desde 2009.
Especialistas apontam que o impacto de curto prazo da nova tarifa poderá ser limitado para o Brasil, mas tende a afetar cadeias globais de produção. Isso porque o setor automotivo opera com uma lógica de interdependência entre países, especialmente em componentes de alta complexidade.
A nova rodada de tarifas anunciada por Trump faz parte de uma escalada nas tensões comerciais internacionais, em especial com países do G20 e integrantes do bloco dos Brics. A medida já gerou reação do governo brasileiro, que classificou a medida como “intimidação comercial” e prometeu buscar diálogo diplomático com Washington e articulação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
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