Tarifa dos EUA concentra 52% do impacto em SP e SC

Da Redação de LexLegal
São Paulo e Santa Catarina concentram 52% das exportações brasileiras afetadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos. O cálculo da ApexBrasil considera US$ 7,2 bilhões em vendas expostas, com base nos números de 2025.
São Paulo responde por US$ 3 bilhões, equivalentes a 41,6% do impacto nacional e a cerca de 20% das vendas paulistas aos Estados Unidos. Em Santa Catarina, o peso proporcional é maior: 68% das exportações destinadas ao mercado norte-americano serão atingidas. Os dados foram apresentados pela ApexBrasil nesta sexta-feira (17).
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A estimativa do governo federal chega a US$ 7,4 bilhões quando considerada a pauta comercial de 2024. A diferença decorre do período usado no cálculo. Pelos dados mais recentes da ApexBrasil, a sobretaxa alcança 18,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos.
Indústria paulista e madeira catarinense entram na lista
Entre os produtos paulistas atingidos estão etanol, veículos, plásticos, máquinas, borracha, óleos e equipamentos médicos. A concentração industrial amplia a participação de São Paulo no valor total exposto.
Em Santa Catarina, os efeitos recaem principalmente sobre madeira, carvão vegetal, móveis, máquinas e equipamentos. A dependência do mercado norte-americano torna mais difícil substituir compradores no curto prazo.
O Paraná também enfrenta risco no setor madeireiro. Cerca de 30% da madeira importada pelos Estados Unidos vem do Brasil. Desse volume brasileiro, 66,7% tem origem paranaense.
“Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, disse Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
Granito brasileiro também será taxado
O granito usado pela construção civil norte-americana está entre os produtos alcançados pela tarifa. Segundo a ApexBrasil, o Brasil fornece 36% do material importado pelos Estados Unidos.
“Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, comentou Müller.
A dependência de fornecedores brasileiros pode elevar os custos de importadores, construtoras e consumidores norte-americanos. Para as empresas brasileiras, o risco é a perda de pedidos caso os compradores consigam fornecedores em outros países.
ApexBrasil prepara plano de R$ 130 milhões
A ApexBrasil reservou R$ 130 milhões para ajudar os setores afetados a ampliar suas vendas para outros destinos. O plano será lançado em agosto e deverá envolver 57 entidades setoriais e cerca de 2,4 mil empresas exportadoras.
Entre os mercados considerados estão União Europeia, Sudeste Asiático e países da Ásia Central. A agência também pretende trabalhar para ampliar as exportações de produtos brasileiros que ficaram fora da nova tarifa.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a cobrança em 15 de julho. A sobretaxa de 25% entra em vigor em 22 de julho e possui uma lista de exceções para produtos considerados importantes para o abastecimento e para as cadeias produtivas norte-americanas. A medida foi adotada com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.
O governo brasileiro rejeita as acusações norte-americanas sobre práticas comerciais prejudiciais e mantém negociações para tentar reduzir o alcance da medida.
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A concentração do impacto em poucos estados aumenta a pressão por medidas direcionadas. Empresas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná terão de renegociar contratos, rever preços e buscar novos compradores enquanto Brasil e Estados Unidos discutem uma saída para a disputa.