Tarifa de Trump pressiona dólar e bolsa, mas mercado modera perdas ao longo do dia

Tarifa de Trump pressiona dólar e bolsa, mas mercado modera perdas ao longo do dia
Investidores acompanham reações dos mercados à taxação de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros/Freepik
Publicado em 11/07/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A reação inicial do mercado financeiro à nova tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, foi de forte instabilidade. Contudo, ao longo da quinta-feira (10), os efeitos mais agudos foram sendo amenizados, tanto no câmbio quanto na bolsa de valores. A medida, que elevou tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países, impactou principalmente setores industriais exportadores.

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O dólar comercial chegou a atingir R$ 5,61 nos primeiros minutos de negociação, reflexo da apreensão com o cenário externo e o possível efeito da tarifa sobre o comércio bilateral. No entanto, a divisa desacelerou ao longo do dia, encerrando cotada a R$ 5,543 — uma alta de R$ 0,039 (+0,72%). A mínima do dia foi registrada às 10h50, quando o dólar caiu para R$ 5,52. Ainda assim, a moeda norte-americana fechou no maior valor desde 25 de junho, acumulando ganho de 2,22% na semana, embora registre queda de 10,3% no acumulado do ano.

No mercado acionário, o índice Ibovespa também iniciou o dia sob forte pressão, com queda de 1,07% por volta das 10h30. O movimento refletia a reação dos investidores ao aumento unilateral de tarifas, que afeta diretamente setores com forte presença nos EUA. Apesar da recuperação parcial ao longo da tarde — quando o índice voltou a superar os 137 mil pontos — o Ibovespa encerrou o dia aos 136.743 pontos, em baixa de 0,54%.

As perdas, no entanto, não foram generalizadas. Os impactos se concentraram nas empresas mais expostas ao comércio com os Estados Unidos, especialmente do setor industrial. Um exemplo foi a fabricante de aeronaves Embraer. As ações da companhia chegaram a recuar 7% pela manhã e encerraram o pregão cotadas a R$ 75,32, com queda de 3,7%.

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Mesmo com a tensão instalada, o mercado ainda monitora os próximos passos diplomáticos do governo brasileiro, que já sinalizou possível reação à medida de Trump, tanto na Organização Mundial do Comércio quanto com base na nova Lei de Reciprocidade Econômica. A avaliação de analistas é que o episódio abre um novo capítulo de incertezas para o comércio bilateral e para a estabilidade dos ativos brasileiros, num contexto em que o multilateralismo e os blocos comerciais estão em xeque.

SÃO PAULO WEATHER