SUS incorpora dois novos tratamentos hormonais para mulheres com endometriose

SUS incorpora dois novos tratamentos hormonais para mulheres com endometriose
Mulheres com endometriose terão acesso a novos tratamentos hormonais pelo SUS, incluindo o DIU-LNG e o desogestrel/Tomaz Silva/Agência Brasil
Publicado em 24/08/2025 às 15:26

Da redação de LexLegal

Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer duas novas opções de tratamento para mulheres com endometriose, doença ginecológica crônica que afeta milhões de brasileiras. Foram incorporados à rede pública o dispositivo intrauterino liberador de levonogestrel (DIU-LNG) e o desogestrel, ambos recomendados pela Conitec – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.

Em nota, o Ministério da Saúde explicou que o DIU-LNG age suprimindo o crescimento do tecido endometrial fora do útero, sendo indicado especialmente para mulheres que não podem usar contraceptivos orais combinados.

“A nova tecnologia pode melhorar a qualidade de vida das pacientes, uma vez que sua troca só é requerida a cada cinco anos, o que contribui para aumentar a adesão ao tratamento”, destacou a pasta.

desogestrel, por sua vez, atua como anticoncepcional hormonal que bloqueia a atividade hormonal e evita a progressão da doença. Ele poderá ser utilizado como primeira linha de tratamento, prescrito já na avaliação clínica, antes mesmo da confirmação diagnóstica por exames.

O ministério ressaltou que, para a oferta no SUS, ainda será necessário atualizar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose, que orienta profissionais de saúde na condução dos casos.

A doença e seus impactos

endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, atingindo órgãos como ovários, intestino e bexiga, o que causa inflamações e fortes dores. Os sintomas mais comuns incluem cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e alterações intestinais ou urinárias cíclicas.

OMS estima que a doença atinge 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a mais de 190 milhões de pessoas.

No Brasil, os números mostram crescimento expressivo na procura por atendimento. Dados do Ministério da Saúde apontam que, na atenção primária, os atendimentos relacionados ao diagnóstico de endometriose subiram 30% entre 2022 e 2024, passando de 115,1 mil para 144,9 mil registros.

Na atenção especializada, houve aumento de 70%, de 31.729 atendimentos em 2022 para 53.793 em 2024. Somados, os dois últimos anos contabilizaram 85,5 mil atendimentos especializados. Também cresceram as internações: 14.795 em 2022 para 19.554 em 2024, totalizando 34,3 mil casos em 2023 e 2024.

A ampliação de terapias disponíveis no SUS representa um avanço importante para a saúde da mulher e pode reduzir complicações decorrentes da doença. Especialistas lembram que o acesso facilitado ao tratamento pode significar menos internações, menos infertilidade e mais qualidade de vida para milhões de pacientes.

SÃO PAULO WEATHER