STJ barra reintegração de posse da Suzano em área do Quilombo Itaúnas

STJ barra reintegração de posse da Suzano em área do Quilombo Itaúnas
Sede do Superior Tribunal de Justiça em Brasília, onde ocorreu o julgamento do conselheiro do TCE-RJ/Gustavo Lima/STJ
Publicado em 18/09/2025 às 6:30

Da redação de LexLegal

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu, por decisão liminar, a reintegração de posse que permitiria à Suzano S.A. assumir a área ocupada pelo Quilombo Itaúnas, em Conceição da Barra (ES). A medida, determinada pelo ministro Herman Benjamin, anula decisão anterior do governo capixaba que havia transferido a propriedade da terra para a empresa de celulose.

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O ministro destacou que se trata de terras devolutas, ou seja, áreas públicas sem destinação do poder público e que nunca integraram o patrimônio de particulares. O processo será redistribuído ao ministro Sérgio Kukina, da Primeira Seção do STJ.

A disputa chegou à Justiça em 2016, após o Ministério Público Federal (MPF) questionar os títulos concedidos pelo governo estadual à Suzano, sucessora da Fibria S.A. Para o MPF, a aquisição foi irregular e configuraria fraude. A ação tramita no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Comunidade sob pressão

A decisão ocorre em meio ao agravamento do conflito. Lideranças do quilombo relataram ter deixado o território pela primeira vez, temendo por suas vidas. A comunidade reúne mais de 130 casas e reivindica a titulação de 30 hectares, suficientes para manter atividades tradicionais como pesca, caça e reflorestamento.

Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) classificou a tentativa de retirada da comunidade como “um ataque frontal ao direito constitucional”. Em nota, a entidade lembrou que famílias vivem na região há mais de 300 anos e que o quilombo é berço de mestres da cultura popular, como Mestre Anís e Mestre Caboquim.

O líder comunitário Bruno Camilo afirmou que o interesse da empresa está na expansão do plantio de eucalipto, prática contestada por ambientalistas pelos impactos da monocultura sobre fauna e flora. “A Suzano não quer diálogo. Estão marginalizando nosso movimento”, disse.

Patrimônio arqueológico

Pesquisadores também apontam a relevância ambiental e cultural da região. O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) identificou sítios arqueológicos próximos ao rio Itaúnas, com vestígios datados de cerca de 500 a.C. O Iphan registra mais de 550 sítios arqueológicos no Espírito Santo, a maioria na faixa costeira do norte do estado.

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Enquanto aguardam a titulação formal pela Fundação Cultural Palmares (FCP), os quilombolas seguem mobilizados em defesa da área. A liminar do STJ impede, por ora, a retirada da comunidade, mas o caso segue em disputa judicial.

SÃO PAULO WEATHER