STF veta manobras para criar novos penduricalhos no Judiciário e MP

STF veta manobras para criar novos penduricalhos no Judiciário e MP
Ministros do Supremo barram reestruturação de cargos usada para elevar salários acima do teto de R$ 46,3 mil/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Publicado em 11/05/2026 às 7:00

Da Redação de LexLegal

O Supremo Tribunal Federal apertou o cerco contra a criação de benefícios que driblam o teto constitucional. Em nova decisão, a Corte proibiu que órgãos do Judiciário, Ministério Público e Defensoria reformulem estruturas de cargos ou unidades funcionais para justificar gratificações extras. A medida visa impedir que manobras administrativas, como a reclassificação de comarcas, aumentem artificialmente os ganhos de magistrados e promotores.

A determinação, assinada pelos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, estabelece que todos os pagamentos devem constar em contracheque único. O objetivo é dar transparência ao valor real depositado, evitando que verbas indenizatórias fiquem ocultas e somem montantes superiores ao limite permitido por lei.

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“O modelo definido pelo Supremo Tribunal Federal busca impedir a reprodução de práticas fundadas em comparações remuneratórias entre órgãos distintos, com sucessivas pretensões de equiparação, incompatíveis com a racionalidade administrativa, com a responsabilidade fiscal e com o cumprimento uniforme das decisões desta Corte”, destacaram Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, ministros do STF.

Teto e limites estabelecidos

A decisão ocorre após o Supremo definir, em março, que auxílios e gratificações não podem ultrapassar 35% do subsídio dos ministros da Corte, hoje fixado em R$ 46,3 mil. Com essa trava, o ganho total de juízes e procuradores fica limitado a cerca de R$ 62,5 mil mensais. Segundo os ministros, a imposição do limite é essencial para manter a responsabilidade fiscal e evitar o efeito cascata entre diferentes carreiras públicas.

Associações podem recorrer

Com a publicação do acórdão também nesta sexta-feira, o prazo para contestações judiciais está aberto. Entidades de classe que representam juízes e membros do Ministério Público agora podem entrar com recursos para tentar reverter ou modular os efeitos da decisão que restringiu os pagamentos adicionais.

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“O modelo definido pelo Supremo Tribunal Federal busca impedir a reprodução de práticas fundadas em comparações remuneratórias entre órgãos distintos”, reforçaram os magistrados Dino, Mendes e Zanin no texto da decisão.

SÃO PAULO WEATHER