STF unifica regras e impõe trava de R$ 16,2 mil para penduricalhos de juízes

Da redação de LexLegal
O Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu um limite rigoroso para o pagamento de gratificações e auxílios a membros do Judiciário e do Ministério Público em todo o país. A partir de agora, o somatório dos chamados penduricalhos não poderá ultrapassar 35% do subsídio dos ministros da própria Corte.
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Na prática, as verbas indenizatórias — que não são contabilizadas no teto salarial de R$ 46,3 mil — ficam restritas ao teto de R$ 16,2 mil. A medida visa conter abusos e padronizar pagamentos que, em muitos estados, extrapolavam a razoabilidade por meio de leis locais.
Impacto financeiro e a manutenção de ganhos acima do teto
A nova regra deve gerar uma economia de R$ 7,3 bilhões por ano aos cofres públicos. Apesar da limitação, magistrados e promotores continuarão recebendo valores que superam o teto constitucional, uma vez que benefícios como diárias, férias não gozadas e gratificação por acúmulo de função são considerados indenizatórios e não entram no cálculo do abate-teto.
Com a trava de 35%, o rendimento bruto mensal desses servidores poderá chegar a pelo menos R$ 62,5 mil. A decisão também estende a validade dessas limitações para servidores do Legislativo e do Executivo.
Críticas ao excesso de folgas e proliferação de rubricas
O julgamento foi marcado por um voto único lido pelo decano Gilmar Mendes, que criticou distorções no sistema. Mendes citou casos de licenças compensatórias que permitiam afastamentos desproporcionais.
“Ficava-se mais em casa do que trabalhando”, comentou o ministro (Fonte: Plenário do STF). O ministro Alexandre de Moraes reforçou que o objetivo é acabar com a confusão administrativa. “Há mais de 1 mil rubricas de verbas e vantagens, acabou havendo abusos, seja por leis estaduais, leis administrativas”, disse Alexandre de Moraes. Segundo ele, todos os ramos da Justiça deverão agora seguir um padrão nacional.
Regras de transição e o papel do Congresso Nacional
O presidente do STF, Edson Fachin, destacou que a Corte buscou uma solução para um problema que se arrasta há três décadas. “Este colegiado se defrontou com um problema que perdura aproximadamente há 30 anos. Portanto, teve o desafio de encontrar uma fórmula capaz de estabelecer regras transitórias até que advenha lei federal de caráter nacional”, afirmou Edson Fachin.
O ministro Flávio Dino também aproveitou a sessão para rebater críticas à atuação do tribunal, defendendo o equilíbrio entre os ministros. “Aqui não há ditadores, diferente do que dizem. Um controla o outro e ninguém impõe sua vontade”, disse Flávio Dino (Fonte: Plenário do STF).
A decisão impõe uma barreira contra o uso de leis estaduais para criar vantagens pecuniárias sem base em norma federal. Com a padronização, o Supremo espera encerrar a fragmentação salarial que permitia ganhos díspares entre tribunais de diferentes regiões.
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O Congresso Nacional agora terá o papel de legislar definitivamente sobre quais verbas podem ser consideradas indenizatórias, mas, até que isso ocorra, o limite de 35% do teto servirá como a régua oficial para todo o funcionalismo público de alto escalão.