STF julga quebra de sigilo em buscas da internet no caso Marielle

STF julga quebra de sigilo em buscas da internet no caso Marielle
Supremo retoma julgamento sobre quebra de sigilo em buscas ligadas ao caso Marielle Franco/Freepik
Publicado em 25/09/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (24) o julgamento que poderá validar a quebra de sigilo para identificar usuários que realizaram buscas por palavras-chave em sites da internet. A decisão terá impacto direto em investigações criminais e poderá autorizar o uso do recurso em casos de crimes graves.

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Até o momento, o placar está em 4 votos a 2 a favor da quebra de sigilo, mas com restrições definidas pela própria Corte. O julgamento foi suspenso e deve ser retomado nesta quinta-feira (25), com cinco ministros ainda por votar.

A discussão chegou ao STF por meio de um recurso apresentado pelo Google contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que obrigou a empresa a fornecer dados de usuários que pesquisaram termos relacionados à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes nos dias próximos ao assassinato, em março de 2018.

A decisão do STJ confirmou liminar da Justiça do Rio de Janeiro que determinava a entrega dos IPs de quem buscou, entre 10 e 14 de março de 2018, expressões como “Marielle Franco”“vereadora Marielle”“Casa das Pretas” e o endereço onde ocorreu o último compromisso da parlamentar antes do crime.

O Google contestou a ordem, argumentando que a medida foi genérica e ilegal, já que não indicava suspeitos específicos, ferindo a regra constitucional da inviolabilidade de dados pessoais e comunicações privadas.

Os votos até agora

Entre os ministros favoráveis à quebra de sigilo estão Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Gilmar Mendes. Eles defenderam que a medida seja autorizada apenas com decisão judicial prévia, descarte de dados de pessoas não investigadas e limitação a crimes hediondos, como homicídio, feminicídio e estupro.

Gilmar Mendes ressaltou a necessidade de restringir o alcance da decisão.
“Estamos tratando de restrições de direitos fundamentais de pessoas indeterminadas. A limitação da medida parece essencial para garantir que o menor número de sujeitos não relacionados ao crime sofra essa limitação”, afirmou.

Na divergência, o ministro André Mendonça alertou para riscos de abuso.
“Entendo que nós estamos construindo um precedente muito perigoso para os direitos fundamentais, a liberdade e a intimidade das pessoas. Estamos abrindo um caminho para um Estado de polícia, e é um caminho sem volta”, disse.

A ex-ministra Rosa Weber também havia se posicionado contra a medida em setembro de 2023, antes de sua aposentadoria.

Caso Marielle

O julgamento está diretamente ligado às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Em maio deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos acusados de envolvimento no crime: Domingos Brazão (conselheiro do TCE-RJ), Chiquinho Brazão(ex-deputado federal), Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil do Rio), além do major da PM Ronald Alves de Paula e do ex-policial militar Robson Calixto. Todos estão presos preventivamente.

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As alegações finais já foram apresentadas pela PGR, última etapa antes do julgamento do processo. Ainda não há data definida para a sessão.


SÃO PAULO WEATHER