STF adia decisão sobre quebra de sigilo de buscas na internet

STF adia decisão sobre quebra de sigilo de buscas na internet
Supremo Tribunal Federal analisa possibilidade de quebra de sigilo de buscas na internet em casos criminais/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci
Publicado em 25/09/2025 às 15:49

Da redação de LexLegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta quinta-feira (25) a conclusão do julgamento que discute a possibilidade de validar a quebra de sigilo para identificar usuários que realizaram buscas por palavras-chave em sites de internet. A medida, caso aprovada, poderá ser usada em investigações criminais.

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Até o momento, o placar está em 5 votos a 2 a favor da autorização da medida, mas com restrições. A interrupção ocorreu após um pedido de vista do ministro Dias Toffoli, que suspendeu o julgamento sem prazo definido para retomada.

O que está em jogo

O caso chegou ao STF a partir de um recurso do Google, que contestou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte havia obrigado a empresa a fornecer dados de usuários que pesquisaram termos relacionados à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes nos dias que antecederam o assassinato, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

A Justiça do Rio havia determinado que fossem entregues os endereços de IP — número que identifica computadores e celulares na rede — de quem pesquisou expressões como “Marielle Franco”“agenda vereadora Marielle” ou “Rua dos Inválidos, 122”.

Para o Google, a decisão representava uma quebra de sigilo de forma genérica, sem a indicação prévia de suspeitos. A Constituição garante a inviolabilidade dos dados e comunicações pessoais, permitindo a quebra apenas mediante ordem judicial fundamentada e em situações específicas.

Os votos até agora

Cinco ministros se manifestaram a favor da quebra de sigilo em casos de investigações criminais, desde que respeitados alguns critérios:

  • decisão judicial prévia,
  • limitação a crimes hediondos,
  • descarte de informações de pessoas não investigadas.

Entre eles estão Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Edson Fachin.

Contra a medida votaram André Mendonça, que alertou para o risco de criação de um “Estado policialesco”, e Rosa Weber, que já havia se posicionado contrária antes de se aposentar em 2023.

O pano de fundo: o caso Marielle

O debate está diretamente ligado à investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. O caso, ainda em andamento, chegou à reta final este ano.

Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a condenação de cinco acusados: o conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão, o ex-deputado Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, o major da PM Ronald Alves de Paula e o ex-PM Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.

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O pedido integra as alegações finais do processo, última etapa antes do julgamento definitivo, cuja data ainda não foi marcada.


SÃO PAULO WEATHER