SP tem sétima morte por consumo de bebida adulterada

SP tem sétima morte por consumo de bebida adulterada
Governo de São Paulo reforça fiscalização após série de mortes por bebidas adulteradas com metanol; vítimas apresentaram sintomas de intoxicação aguda antes do óbito/UFPR/Divulgação
Publicado em 23/10/2025 às 12:13

Da redação de LexLegal

A morte de um jovem de 25 anos, em Osasco (SP), após consumir bebida alcoólica contaminada com metanol, elevou para sete o número de óbitos no estado desde o fim de setembro. O caso foi confirmado no boletim mais recente divulgado pelo governo paulista e reacendeu o alerta sobre os riscos do consumo de bebidas sem procedência.

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O estado de São Paulo concentra a maioria das ocorrências no país: 42 casos confirmados de intoxicação, sendo três na capital (homens de 54, 46 e 45 anos), uma mulher de 30 anos em São Bernardo do Campo, dois jovens de Osasco (23 e 25 anos) e um homem de 37 anos em Jundiaí.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil já registra dez mortes confirmadas por ingestão de bebidas adulteradas com metanol — sete em São Paulo, duas em Pernambuco e uma no Paraná. Outros 11 casos seguem sob investigação em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraíba.

O número total de intoxicações confirmadas no país chega a 53, enquanto 28 mortes suspeitas foram descartadas. Há ainda ocorrências em análise em estados como Rio de Janeiro, Piauí, Goiás, Ceará, Tocantins e Rio Grande do Sul.

O que é o metanol e por que é perigoso

metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância altamente tóxica utilizada principalmente na indústria química — em solventes, combustíveis e anticongelantes. Diferente do etanol, presente nas bebidas alcoólicas comuns, o metanol não é seguro para consumo humano.

Quando ingerido, o composto é metabolizado pelo organismo em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que destroem o sistema nervoso e os nervos ópticos, podendo causar cegueira irreversível e morte em poucas horas, dependendo da quantidade consumida.

Sintomas e atendimento emergencial

Os principais sintomas de intoxicação por metanol incluem visão turva, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese intensa. Em casos mais graves, há perda de consciência e falência múltipla de órgãos.

O Ministério da Saúde reforça que a intoxicação por metanol é uma emergência médica e que o atendimento rápido é essencial para salvar vidas. Quem apresentar sintomas deve procurar imediatamente uma unidade de saúde e relatar o consumo de bebidas suspeitas.

Os canais de emergência incluem:

  • Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001
  • Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP): (11) 5012-5311 ou 0800 771 3733 (ligações de todo o país)
  • CIATox locais, disponíveis nas capitais e principais cidades brasileiras

Além disso, as autoridades orientam que pessoas que consumiram a mesma bebida que uma vítima confirmada devem ser avaliadas imediatamente, mesmo sem sintomas, para evitar complicações fatais.

Alerta sanitário e fiscalização

As mortes provocadas por metanol levaram o governo de São Paulo a reforçar a fiscalização de fábricas e distribuidores ilegais de bebidas. O Procon-SP e a Polícia Civil atuam em conjunto com a Vigilância Sanitária para identificar pontos de produção clandestina, onde o metanol é utilizado como substituto do etanol em tentativas de adulteração de cachaça, vodca e outras bebidas destiladas.

Em nota, as autoridades destacaram que o consumo de bebidas sem rótulo, com tampas violadas ou vendidas em locais improvisados representa alto risco à saúde. O metanol é incolor e tem odor semelhante ao álcool comum, o que dificulta sua identificação por consumidores.

Panorama nacional da contaminação

Desde setembro, a toxicovigilância nacional monitora um aumento nos casos em diferentes regiões do país. Pernambuco e Paraná registraram, juntos, três mortes, e há seis confirmações de intoxicação no Paraná, além de três em Pernambucouma no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso.

Os especialistas destacam que o aumento repentino de casos pode estar relacionado à circulação de lotes adulterados em festas e comércios informais, sobretudo em regiões metropolitanas.

As secretarias de Saúde reforçam a necessidade de campanhas educativas sobre os perigos do metanol e pedem que a população denuncie locais de venda suspeitos por meio do Disque 136 (Ministério da Saúde) ou dos canais estaduais de vigilância sanitária.

Consequências e medidas preventivas

O envenenamento por metanol, quando não leva à morte, costuma causar danos neurológicos permanentes. O tratamento envolve o uso de antídotos específicos, como o fomepizol ou o etanol terapêutico, administrados em ambiente hospitalar sob observação intensiva.

Autoridades de saúde também alertam que a demora no diagnóstico reduz significativamente as chances de sobrevivência. Por isso, médicos e hospitais estão sendo orientados a considerar intoxicação por metanol em casos de sintomas súbitos após o consumo de álcool, principalmente se o paciente relatar bebidas artesanais ou de origem duvidosa.

O governo federal e as secretarias estaduais estudam ainda criar um sistema de rastreamento de lotes e alertas rápidos para facilitar a identificação de focos de contaminação.

O aumento das mortes por bebidas adulteradas com metanol reacende um alerta de saúde pública e criminalidade econômica. As autoridades reforçam que o consumo de bebidas sem procedência pode ser letal e pedem à população atenção redobrada à procedência dos produtos.

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A investigação sobre a origem dos lotes contaminados segue em curso, e as ações de fiscalização foram ampliadas em todo o país para prevenir novos casos e responsabilizar os envolvidos na fabricação ilegal.

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