Sobe a aprovação de Lula em segmentos antes críticos, aponta Quaest

Sobe a aprovação de Lula em segmentos antes críticos, aponta Quaest
Eleitorado de classe média e Sudeste reage melhor à atuação recente do governo Lula/Agência Brasil
Publicado em 16/07/2025 às 9:12

Da redação de LexLegal

Uma nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (16), aponta uma mudança relevante no cenário de opinião pública sobre o governo Lula. Pela primeira vez em seis meses, a distância entre aprovação e desaprovação recuou para 10 pontos percentuais. Em junho, a distância era de 17. Agora, a desaprovação é de 53% (queda de 4 pontos), enquanto a aprovação subiu de 40% para 43%. Apesar de a reprovação ainda superar a aprovação, o governo petista dá sinais de fôlego em setores estratégicos do eleitorado. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.

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Encomendada pela Genial Investimentos, a sondagem foi realizada entre os dias 10 e 14 de julho, com 2.004 entrevistas presenciais em todos os estados brasileiros. O levantamento traz recortes detalhados por região, renda, gênero, faixa etária, escolaridade e voto nas eleições de 2022, permitindo uma análise mais refinada da base de apoio do governo e das resistências que ainda persistem.

Segundo o cientista político e diretor da Quaest, Felipe Nunes, o movimento de recuperação se dá principalmente fora da base tradicional do PT: “A melhora veio entre os mais escolarizados, no Sudeste e na classe média, segmentos que mais se sentiram ameaçados com as tarifas de Trump e que passaram a ver o governo com olhos mais pragmáticos. Lula conseguiu mudar de papel: saiu de coadjuvante para protagonista do debate público”.

O impacto do tarifaço anunciado por Donald Trump contra produtos brasileiros, sob o argumento de perseguição política a Bolsonaro, teve reflexos na percepção do eleitor. De acordo com a Quaest, 72% dos entrevistados acreditam que Trump está errado. E 79% acham que a medida vai prejudicar diretamente sua vida ou a de seus familiares. Essa leitura ajudou o Planalto a capitalizar apoio com um discurso de soberania e defesa da produção nacional.

Nas regiões, o Sudeste teve a principal mudança. Em junho, 64% dos eleitores desaprovavam Lula, contra 32% que aprovavam. Agora, a desaprovação caiu para 56% e a aprovação subiu para 40%, reduzindo a diferença de 32 para 16 pontos. No Nordeste, Lula manteve alta aprovação: 53%, contra 44% de desaprovação. No Sul e nas regiões Norte e Centro-Oeste, houve estabilidade com pequenas oscilações dentro da margem de erro.

Entre os eleitores com ensino superior completo, a mudança também foi expressiva. A aprovação cresceu 12 pontos (de 33% para 45%) e a desaprovação caiu 11 pontos (de 64% para 53%). O segmento, considerado influente na formação de opinião, foi um dos mais críticos ao governo até então.

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A pesquisa mostra ainda que a visão do governo melhorou entre os brasileiros com idade entre 35 e 59 anos. Nesse grupo, a aprovação passou de 38% para 44%, enquanto a desaprovação recuou de 59% para 52%. Mulheres, que em junho eram o segmento com maior desaprovação (54%), agora apresentam um cenário de empate técnico, com 46% de aprovação e 49% de desaprovação.

Entre os mais pobres (renda até 2 salários mínimos), a aprovação segue tecnicamente empatada com a desaprovação: 49% contra 46%. Entre os que ganham entre 2 e 5 salários mínimos, a diferença caiu de 19 pontos para 9. Já entre os mais ricos, acima de 5 salários, a desaprovação é majoritária: 61% contra 37% de aprovação.

No recorte religioso, entre os católicos houve melhora para Lula: 51% aprovam, contra 45% que desaprovam. Entre evangélicos, segue o maior desafio: 69% desaprovam o governo, ante 28% que aprovam.

Na avaliação geral da gestão, 40% consideram o governo negativo, ante 28% que o veem como positivo. Outros 28% o classificam como regular. No quesito economia, 46% acham que a situação piorou no último ano, enquanto 21% acreditam que melhorou. Para os próximos 12 meses, a percepção negativa aumentou: 43% acreditam que a economia vai piorar, ante 35% que esperam melhora.

Questionados sobre a relação entre Congresso e governo, 79% dos entrevistados avaliam que os conflitos entre os Poderes mais atrapalham do que ajudam. Em relação a tributação, 63% apoiam aumentar impostos dos mais ricos para aliviar a carga dos mais pobres. Contudo, 53% discordam da narrativa que coloca ricos contra pobres como base de discurso político.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação caiu levemente (de 51% para 50%) e a desaprovação oscilou para 45% (era 44%), mantendo o cenário de empate técnico. Entre quem não recebe o benefício, a desaprovação ainda é alta (55%), mas caiu 6 pontos desde junho.

O levantamento também analisou a opinião conforme o voto no segundo turno de 2022. Entre os que votaram em Lula, a aprovação segue estável em 74%, enquanto a desaprovação é de 23%. Entre os que votaram em Bolsonaro, 89% desaprovam o atual presidente e apenas 9% o aprovam.

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Os dados sinalizam que, mesmo em meio às turbulências econômicas e institucionais, o governo conseguiu reverter parte da percepção negativa em segmentos antes resistentes. O uso de uma pauta externa (como o tarifaço americano) e temas como a taxacão dos super-ricos parecem ter gerado empatia junto a setores mais escolarizados e urbanos.

SÃO PAULO WEATHER