Senado aprova projeto que equipara misoginia ao crime de racismo

Senado aprova projeto que equipara misoginia ao crime de racismo
Texto prevê até cinco anos de prisão para quem exteriorizar ódio ou aversão às mulheres/Freepik
Publicado em 25/03/2026 às 14:30

Da redação de LexLegal

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 896/2023, que coloca a misoginia no mesmo patamar jurídico dos crimes de preconceito da Lei do Racismo. Com 67 votos favoráveis e nenhum contra, a proposta define a prática como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres. A mudança é estratégica: ao entrar na Lei nº 7.716/1989, o crime passa a ter penas mais severas, variando de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

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A proposta, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatada por Soraya Thronicke (Podemos-MS), busca punir especificamente o discurso de ódio que hoje muitas vezes acaba enquadrado apenas como injúria simples. Para evitar conflitos com o Código Penal, a relatora ajustou o texto para que a injúria comum em contexto de violência doméstica tenha pena dobrada, enquanto a “injúria misógina” estrutural seja tratada com o rigor da Lei do Racismo. Na prática, o projeto tira o desrespeito à mulher da esfera da “ofensa pessoal” e o joga para o campo do preconceito coletivo.

A justificativa da senadora Ana Paula Lobato aponta que, embora o Brasil tenha a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, ainda faltava uma resposta penal dura para a disseminação de discursos de ódio. Para a parlamentar, a misoginia é a raiz de violências que começam na palavra e terminam em agressões físicas. “Uma grande vitória e uma resposta firme a esse tipo de violência, que começa na palavra, no desrespeito e na ideia de que a mulher vale menos”, escreveu a senadora em suas redes sociais após a votação.

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O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados, onde precisará passar por comissões antes de ir ao plenário. Se aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial. A medida é vista por movimentos de defesa dos direitos das mulheres como um avanço essencial para combater comunidades digitais e discursos públicos que pregam a inferioridade feminina, equiparando juridicamente a aversão ao gênero feminino às discriminações de raça, cor, etnia e religião.

SÃO PAULO WEATHER