Saques superam depósitos e poupança tem saída de R$ 11,1 bilhões em março

Saques superam depósitos e poupança tem saída de R$ 11,1 bilhões em março
Dados do Banco Central mostram retirada líquida no mês e no trimestre/Agência Brasil
Publicado em 09/04/2026 às 12:30

Da redação de LexLegal

A caderneta de poupança registrou mais saques do que depósitos em março, com retirada líquida de R$ 11,1 bilhões, segundo relatório divulgado pelo Banco Central. No período, o volume retirado superou o valor aplicado pelos brasileiros, mantendo a tendência de saída observada nos últimos anos.

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De acordo com os dados oficiais, os depósitos somaram R$ 369,6 bilhões no mês passado, enquanto os saques chegaram a R$ 380,7 bilhões. Mesmo com rendimento creditado nas contas no valor de R$ 6,3 bilhões, o saldo total aplicado em poupança segue próximo de R$ 1 trilhão.

O movimento de retirada não é isolado. Nos últimos anos, a poupança tem registrado resultados negativos. Em 2023, as retiradas líquidas chegaram a R$ 87,8 bilhões. Já em 2024, o volume retirado foi de R$ 15,5 bilhões. No ano passado, o saldo negativo acumulado atingiu R$ 85,6 bilhões.

Somente no primeiro trimestre deste ano, a caderneta já acumula R$ 41,2 bilhões em retiradas líquidas. Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento está o nível elevado da taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia. Quando a Selic está alta, investimentos como títulos públicos e aplicações financeiras costumam oferecer rendimento maior que a poupança, atraindo investidores.

Recentemente, o Comitê de Política Monetária do Banco Central iniciou um movimento de redução da Selic, com um corte de 0,25 ponto percentual ao ano. Mesmo assim, o cenário internacional segue influenciando as decisões. As tensões provocadas pela guerra no Oriente Médio podem levar a ajustes na política monetária caso haja impacto relevante na economia.

Selic e inflação influenciam comportamento dos investidores

A Selic é considerada o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. O objetivo da autoridade monetária é manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, conhecido como IPCA, próximo da meta de 3% ao ano.

Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro e o consumo tende a diminuir. Isso ajuda a conter o aumento de preços. Ao mesmo tempo, juros mais altos tornam outros investimentos mais atrativos, reduzindo o interesse pela poupança.

Em fevereiro, o IPCA registrou alta de 0,7%, influenciado principalmente pelos custos com transporte e educação. O resultado foi maior que o observado em janeiro, quando a inflação ficou em 0,33%. Apesar disso, o acumulado em 12 meses caiu para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

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Os dados mais recentes da inflação devem indicar se fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, já estão pressionando os preços internos. O resultado do IPCA referente ao mês de março será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

SÃO PAULO WEATHER