Salário mínimo sobe para R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026

Reajuste de 6,8% combina inflação e crescimento econômico, segundo regra em vigor

Salário mínimo sobe para R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026
O novo valor passa a servir de referência para benefícios previdenciários, assistenciais e contratos de trabalho em todo o país a partir do início do próximo ano/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 25/12/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

O salário mínimo no Brasil será reajustado para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O novo valor representa um aumento de 6,8% em relação ao piso atual, de R$ 1.518, acréscimo pouco superior a R$ 100. A atualização foi oficializada pelo governo federal por meio de publicação no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (24).

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O cálculo do novo mínimo segue a política de valorização retomada nos últimos anos. Pela regra, o reajuste anual considera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada em 12 meses até novembro, somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes – neste caso, o desempenho da economia em 2024. Esse ganho real, porém, está limitado a um teto de 2,5% ao ano, conforme as regras fiscais vigentes.

A combinação desses dois fatores garante aumento acima da inflação, o que diferencia o modelo atual da política adotada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o salário mínimo era corrigido apenas pela variação inflacionária.

Em nota técnica, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos avalia que o modelo anterior trouxe impactos negativos ao poder de compra. “Esse modelo teve efeitos adversos sobre o poder de compra em contexto de inflação relativamente elevada”, afirmou o órgão.

Segundo o Dieese, a recomposição salarial restrita ao reajuste anual não foi suficiente para acompanhar a escalada dos preços. “Enquanto os preços avançavam continuamente, a recomposição salarial ocorria apenas uma vez, no reajuste anual, fazendo com que o salário mínimo real se deteriorasse”, diz o texto. O departamento acrescenta que, entre 2020 e 2022, a simples reposição inflacionária não conseguiu neutralizar o aumento mais intenso dos preços dos alimentos, que afetaram de forma mais pesada as famílias de baixa renda.

Pela Constituição Federal, o salário mínimo é definido como a menor remuneração permitida a um trabalhador formal e deve ser capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, lazer, higiene e transporte.

Com base nesse critério constitucional, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18 em novembro de 2025. O valor corresponde a cerca de 4,3 vezes o novo piso nacional que entra em vigor em janeiro de 2026.

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Ainda de acordo com o departamento, aproximadamente 62 milhões de brasileiros têm rendimentos atrelados ao salário mínimo. Com o reajuste para R$ 1.621, o impacto positivo na economia deve alcançar R$ 81,7 bilhões, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo. O novo valor passa a servir de referência para benefícios previdenciários, assistenciais e contratos de trabalho em todo o país a partir do início do próximo ano.

SÃO PAULO WEATHER