Saída de dólares em 2025 é a segunda maior da série histórica, diz BC

Saída de dólares em 2025 é a segunda maior da série histórica, diz BC
Cessar-fogo no Irã reduz pressão no câmbio, mas Ibovespa acumula perdas/Freepik
Publicado em 08/01/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

O Brasil encerrou 2025 com a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica do Banco Central, em 1982. Dados preliminares mostram que o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, resultado superado apenas pelo registrado em 2019, quando a evasão somou US$ 44,768 bilhões.

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Apesar da magnitude da saída de recursos, o comportamento do câmbio ao longo do ano seguiu em sentido oposto. O real apresentou valorização frente ao dólar, sustentado pelo patamar elevado dos juros domésticos e pela desvalorização da moeda americana no mercado internacional.

O principal vetor do resultado negativo foi o canal financeiro, que respondeu por uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025. Trata-se do segundo maior valor da série histórica, atrás apenas do observado em 2024. Nesse grupo estão operações como investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros e outras transações financeiras.

Já o canal comercial registrou ingresso líquido de US$ 49,151 bilhões no período. O resultado positivo, porém, não foi suficiente para neutralizar a forte evasão registrada no segmento financeiro e ficou abaixo dos picos observados em anos anteriores, como 2007 e 2024.

Importações pressionam fluxo comercial

De acordo com o Banco Central, a principal explicação para o menor ingresso de dólares via comércio exterior foi o avanço das importações. O volume de câmbio contratado para compras externas atingiu US$ 238 bilhões, o segundo maior patamar da série histórica, inferior apenas ao registrado em 2022.

No mesmo intervalo, as exportações totalizaram US$ 287,5 bilhões. Diferentemente da balança comercial tradicional, que contabiliza apenas operações efetivamente realizadas, o fluxo cambial considera também pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio, o que amplia o escopo das movimentações registradas.

Valorização do real e atuação do BC

Mesmo diante da saída expressiva de dólares no mercado à vista, a moeda brasileira se apreciou ao longo de 2025. Segundo o BC, o movimento foi impulsionado por operações no mercado de derivativos, favorecidas pelo diferencial de juros entre o Brasil e outras economias e pelo enfraquecimento global do dólar. Essas operações acabaram compensando o saldo negativo do fluxo cambial tradicional.

A atuação direta do Banco Central no mercado à vista foi restrita. Ao longo do ano, a autoridade monetária realizou apenas duas intervenções, de US$ 1 bilhão cada, por meio do chamado casadão. Nesse mecanismo, o BC vende dólares das reservas internacionais ao mesmo tempo em que realiza swaps cambiais reversos, comprando a moeda americana no mercado futuro. A estratégia busca aliviar a taxa de juros em dólar sem interferir diretamente na cotação do câmbio.

Resultado de dezembro

Em dezembro, o fluxo cambial também ficou no vermelho, com saída líquida de US$ 13,562 bilhões. O número foi inferior ao observado no mesmo mês de 2024, quando a evasão alcançou cerca de US$ 27 bilhões. No último mês de 2025, a conta financeira registrou saída de US$ 20,982 bilhões, enquanto a conta comercial apresentou entrada de US$ 7,421 bilhões.

Tradicionalmente marcado por remessas ao exterior para pagamento de dividendos, dezembro de 2025 teve um volume adicional de envios antecipados. Empresas e investidores buscaram se adiantar ao fim da isenção do Imposto de Renda sobre remessas internacionais, que passou a valer a partir de janeiro de 2026.

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O fluxo cambial funciona como uma prévia do balanço de pagamentos, divulgado mensalmente pelo Banco Central. Enquanto o balanço mede as relações econômicas entre residentes e não residentes, o fluxo cambial antecipa tendências ao registrar adiantamentos de contratos e pagamentos antecipados. Em 2025, os dados confirmam que a principal pressão veio do canal financeiro.

SÃO PAULO WEATHER