Safra brasileira deve bater recorde e chegar a 346 milhões de toneladas, diz IBGE

Safra brasileira deve bater recorde e chegar a 346 milhões de toneladas, diz IBGE
Produção de grãos chega a 346,1 milhões de toneladas e cresce 18,2% em um ano/Wenderson Araujo/Trilux
Publicado em 15/01/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

O Brasil deverá encerrar 2025 com a maior safra agrícola de sua história, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 346,1 milhões de toneladas, volume que representa um crescimento de 18,2% em relação ao resultado de 2024, quando a colheita somou 292,7 milhões de toneladas.

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O dado consolida um novo recorde na série histórica do levantamento e reforça o peso do agronegócio na economia brasileira. O avanço reflete a combinação de expansão de área plantada, melhora de produtividade em diversas regiões e recuperação de lavouras que haviam sido afetadas por condições climáticas adversas no ciclo anterior. A estimativa foi calculada em dezembro de 2025 e faz parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, principal instrumento de monitoramento da safra nacional.

Arroz, milho e soja concentram a maior parte da produção projetada para 2025. Esses três produtos, juntos, respondem por 92,7% do volume total estimado e ocupam 87,9% da área que deverá ser colhida no país. O domínio dessas culturas reforça a dependência estrutural da agricultura brasileira em commodities voltadas tanto ao mercado interno quanto à exportação.

A soja aparece como o principal destaque do ciclo agrícola de 2025. A produção foi estimada em 166,1 milhões de toneladas, o que representa um novo recorde histórico e um crescimento de 14,6% em relação a 2024. O resultado mantém o Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa, base fundamental para as cadeias de ração animal, biodiesel e exportações ao mercado asiático.

O milho também atingiu patamar inédito. A produção foi estimada em 141,7 milhões de toneladas, avanço de 23,6% na comparação anual. O desempenho da cultura é impulsionado tanto pela expansão da segunda safra quanto pelo uso crescente de tecnologia no campo, que elevou a produtividade em diversas regiões produtoras.

Outro segmento que apresentou crescimento expressivo foi o do algodão herbáceo em caroço. A estimativa aponta produção de 9,9 milhões de toneladas, aumento de 11,4% em relação ao ciclo anterior. O algodão mantém importância estratégica para a balança comercial, especialmente no fornecimento de matéria-prima para a indústria têxtil e para exportações.

Além das principais culturas, outros produtos também registraram avanço relevante. A produção de arroz em casca foi estimada em 12,7 milhões de toneladas, crescimento de 19,4%. O trigo alcançou 7,8 milhões de toneladas, alta de 3,7%. Já o sorgo somou 5,4 milhões de toneladas, com expansão expressiva de 35,5%, refletindo a maior utilização da cultura como alternativa para ração animal e diversificação agrícola.

Apesar do cenário altamente positivo para 2025, o IBGE projeta uma leve retração para a safra de 2026. A produção total foi estimada em 339,8 milhões de toneladas, o que representa queda de 1,8% em relação ao recorde de 2025, ou uma redução de aproximadamente 6,3 milhões de toneladas.

Mesmo com a diminuição projetada, o volume previsto para 2026 permanece elevado em termos históricos e indica a manutenção de um patamar robusto de produção agrícola no país. O próprio instituto ressalta que se trata do terceiro prognóstico para o próximo ciclo e que os números ainda estão sujeitos a revisões conforme o andamento do plantio e as condições climáticas.

Na comparação com a projeção anterior, divulgada em dezembro de 2024, a nova estimativa para 2026 foi revisada para cima. Houve acréscimo de 4,2 milhões de toneladas, o equivalente a um crescimento de 1,2% na previsão. O ajuste reflete a incorporação de novas informações sobre área plantada e desempenho esperado das lavouras.

O IBGE aponta que a queda projetada para 2026, em relação ao pico de 2025, está concentrada principalmente em algumas culturas específicas. A maior redução ocorre no milho, cuja produção deve recuar 6%, o que equivale a menos 8,5 milhões de toneladas. O sorgo também apresenta retração significativa, com queda de 13% ou cerca de 700,2 mil toneladas.

Outras culturas que devem contribuir para o recuo são o arroz, com diminuição estimada de 8% ou cerca de 1 milhão de toneladas, o algodão herbáceo em caroço, com queda de 10,5% ou 632,7 mil toneladas, e o trigo, que deve recuar 1,6%, equivalente a 128,4 mil toneladas.

Em contrapartida, a soja deve seguir em trajetória de crescimento. Para 2026, o IBGE estima alta de 2,5% na produção, o que representa acréscimo de aproximadamente 4,2 milhões de toneladas. O avanço reforça a posição da cultura como pilar central do agronegócio brasileiro.

O feijão também apresenta perspectiva positiva. A produção da primeira safra foi estimada em crescimento de 3,1%, alcançando 30,1 mil toneladas, resultado que contribui para o abastecimento do mercado interno, onde o produto tem papel essencial na alimentação da população.

Outra novidade trazida pelo IBGE para o ciclo de 2026 é a inclusão de duas novas culturas no levantamento: a canola e o gergelim. Embora ainda ocupem áreas restritas e estejam concentradas em poucas unidades da federação, esses produtos vêm ganhando importância nos últimos anos, tanto pela diversificação da produção quanto pela ampliação de mercados específicos.

A incorporação dessas culturas sinaliza uma tendência de maior diversificação agrícola e de busca por alternativas econômicas em diferentes regiões do país. Mesmo com participação ainda limitada no volume total produzido, canola e gergelim passam a integrar oficialmente a conta das grandes culturas acompanhadas pelo instituto.

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O contraste entre o recorde de 2025 e a leve retração projetada para 2026 ilustra o comportamento cíclico da produção agrícola brasileira, fortemente influenciada por fatores climáticos, custos de produção, preços internacionais e decisões de plantio tomadas pelos produtores. Ainda assim, o patamar projetado para os próximos anos confirma a centralidade do Brasil como uma das principais potências agrícolas globais.

SÃO PAULO WEATHER