Retomada de Angra 3 volta ao centro do debate com custos bilionários e obras paradas

Retomada de Angra 3 volta ao centro do debate com custos bilionários e obras paradas
© Mauricio de Almeida/ TV Brasil
Publicado em 23/11/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

A Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, permanece sem previsão de conclusão após uma década de paralisação, mesmo com 60% das obras executadas. O projeto, iniciado nos anos 1980, segue consumindo cerca de R$ 1 bilhão por ano só para manutenção, enquanto o governo federal ainda não decide se dará continuidade ao empreendimento.

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A falta de encaminhamento pressiona as contas públicas e amplia os riscos do investimento. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), se a União seguir sem definir o futuro da usina, o custo total poderá superar em até R$ 43 bilhões o valor inicialmente estimado de R$ 23 bilhões.

Especialistas e representantes do setor energético reafirmam que a indefinição sobre Angra 3 afeta o planejamento nacional de geração de energia. O deputado Jorge Felippe Neto (Avante) avalia que a obra continua sendo estratégica. “Angra 3 é fundamental para o nosso sonho de autonomia energética, capaz de gerar 1.405 megawatts e abastecer mais de 4,5 milhões de residências. No entanto, o governo federal vem adiando a conclusão do projeto, que já consumiu R$ 21 bilhões e ainda exige novos investimentos para ser finalizado”, afirmou.

Os impactos econômicos também são considerados relevantes por parlamentares que acompanham o tema. O deputado Marcelo Dino (União) destacou o potencial de empregos caso a construção seja retomada. “Hoje, Angra 3 gera cerca de 400 empregos, mas, se a obra for retomada, esse número pode chegar a 3.500 funcionários. Terminar essa usina representa um avanço econômico não apenas para Angra dos Reis, mas para todo o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil”, avaliou.

A insatisfação com o gasto anual sem avanço concreto é compartilhada por trabalhadores do setor. Flávia Azevedo, da Associação de Trabalhadores da Nuclebrás Equipamentos Pesados, chamou atenção para as perdas acumuladas. “A usina já tem 60% das obras civis concluídas e equipamentos adquiridos, mas o Brasil ainda gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas para manter o projeto parado, um valor que poderia ser gasto para gerar empregos, renda e desenvolvimento para a Costa Verde”, afirmou.

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Para representantes de órgãos técnicos, a conclusão da usina pode contribuir para a estabilidade da matriz energética nacional. Gabriela Borsato, diretora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), reforçou o argumento. “Acreditamos que uma das formas de resolver a questão energética é por meio da energia nuclear. A usina, uma vez concluída, terá o investimento amortecido em 20 anos e, depois desse tempo, a tarifa cai em até 75%. Outro ponto é o fator de capacidade: a energia nuclear hoje gera 90%, enquanto as renováveis ficam em torno de 40%. É uma energia firme e de base, disponível 24 horas”, explicou.

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