Reforma tributária expõe lacuna estrutural nos escritórios, aponta Thomson Reuters

Da redação de LexLegal
Um estudo divulgado pela Thomson Reuters revelou que, embora a maioria dos escritórios de advocacia brasileiros já tenha se debruçado sobre a leitura técnica da reforma tributária, quase metade ainda não elaborou um plano específico para lidar com suas implicações práticas. O relatório “Reforma Tributária do Brasil 2025”, mostra que 93% dos profissionais jurídicos estudaram o tema, mas 48% ainda não têm estratégias definidas, expondo uma lacuna entre o conhecimento teórico e a preparação estrutural.
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O levantamento, realizado entre julho e agosto de 2025 com advogados e gestores jurídicos, indica que 59% dos escritórios esperam impactos de alto a transformacional nos próximos três a cinco anos. A entrada em vigor do IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado), marcada para 5 de janeiro de 2026, deve exigir dos escritórios um redesenho de seus fluxos de trabalho e da forma como prestam consultoria aos clientes — especialmente em setores com cadeias complexas de tributação.
“A busca por maior segurança jurídica é um dos pontos centrais da reforma tributária, e os escritórios de advocacia brasileiros têm papel essencial no apoio a seus clientes nessa transição. Nossa pesquisa mostra que muitos escritórios ainda precisam reforçar suas estruturas para conduzir os clientes com segurança ao longo dessa mudança histórica, contando com tecnologia e conteúdo”, afirma Rodrigo Hermida, vice-presidente do segmento de profissionais jurídicos da Thomson Reuters para a América Latina.
Lacunas e vulnerabilidades estruturais
De acordo com o relatório, 52% das bancas se encontram em estágios intermediários ou avançados de preparação, enquanto 48% ainda não possuem planos concretos. A diferença revela que, mesmo com a leitura técnica consolidada, faltam estratégias práticas de implementação.
Os entrevistados apontaram que as áreas mais vulneráveis são planejamento estratégico (34%), desempenho do negócio (31%) e gestão de talentos (18%). Essa percepção está diretamente ligada à expectativa de aumento de demanda: 41% dos escritórios já registram crescimento no volume de trabalho, com 78% projetando mais litígios judiciais e 89% prevendo alta nos processos administrativos.
A reforma tributária, que substitui tributos federais, estaduais e municipais por um modelo unificado, impacta diretamente escritórios especializados em consultoria fiscal, contencioso tributário e planejamento empresarial. No contexto jurídico, o desafio está em traduzir o novo sistema — baseado no IVA dual — em segurança jurídica e eficiência operacional, tanto para empresas quanto para governos locais.
Déficit na formação e nos talentos jurídicos
O estudo mostra que o treinamento de equipes é a área com menor nível de satisfação entre os entrevistados. Quase dois terços dos profissionais afirmam que seus escritórios não estão, ou estão apenas parcialmente, preparados para gerenciar as mudanças. Isso indica uma defasagem na capacitação interna, especialmente em temas de tributação indireta, compliance e tecnologia aplicada ao Direito.
Essa lacuna de expertise preocupa o setor diante da complexidade do novo regime fiscal. A formação de profissionais capazes de interpretar e aplicar corretamente a nova legislação será determinante para evitar riscos jurídicos e multas administrativas.
Tecnologia e conteúdo: pilares da adaptação
A pesquisa também mostra que as soluções tecnológicas ganham prioridade nos investimentos dos escritórios. Entre as ferramentas mais buscadas estão sistemas de simulação e cálculo tributário (24%), artigos e conteúdos práticos (21%) e bases doutrinárias atualizadas (20%).
Além disso, 26% dos escritórios afirmaram que irão aumentar seus investimentos em tecnologia nos próximos seis meses, priorizando automação de processos e inteligência fiscal. Segundo o estudo, a combinação entre tecnologia e conteúdo especializado deve se tornar o diferencial competitivo para bancas que desejam oferecer análises mais ágeis e assertivas a seus clientes.
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“A pesquisa mostra que muitos escritórios ainda precisam reforçar suas estruturas para conduzir os clientes com segurança ao longo dessa mudança histórica, contando com tecnologia e conteúdo”, reforçou Rodrigo Hermida.
Os riscos para os clientes empresariais
O levantamento da Thomson Reuters também mapeia os principais desafios enfrentados pelas empresas diante da reforma. O aumento potencial da carga tributária foi apontado como o maior risco (25,2%), seguido da complexidade de acompanhar a nova legislação (24,3%) e das divergências de interpretação entre o Comitê Gestor e a Receita Federal (21%).
Na prática, a transição para o IVA dual exige uma reorganização completa das cadeias de valor, alterando os fluxos de crédito e débito fiscal. Essa mudança amplia a necessidade de planejamento jurídico-tributário preventivo, uma das áreas que mais tende a crescer no período de adaptação.
A maturidade da advocacia empresarial diante da reforma
O relatório, que faz parte de uma série de três estudos — abordando também corporações e escritórios de contabilidade —, revela que a advocacia empresarial brasileira vive um momento de reestruturação profunda. Escritórios de médio e grande porte estão revendo modelos de negócio, criando núcleos dedicados à reforma tributária e investindo em parcerias com empresas de tecnologia fiscal.
O cenário também reforça a importância do compliance tributário como instrumento de governança corporativa. O novo modelo, baseado em transparência e rastreabilidade de operações, exigirá que empresas e escritórios adotem sistemas integrados para monitorar créditos, débitos e regimes especiais.
Perspectiva regulatória e impacto jurídico
Do ponto de vista legal, a reforma tributária de 2025 representa uma das maiores transformações desde a Constituição de 1988. O IVA dual cria dois tributos: um federal (CBS) e outro estadual e municipal (IBS), administrado por um Comitê Gestor Nacional. A unificação dos impostos busca simplificar o sistema e reduzir litígios, mas sua implementação trará novos desafios jurídicos, especialmente quanto à interpretação de normas complementares e repartição de receitas.
Advogados tributaristas destacam que a segurança jurídica dependerá da harmonização entre legislações locais e da criação de mecanismos de compensação eficientes. Essa etapa exigirá coordenação entre escritórios, empresas e órgãos públicos, além de constante atualização técnica.
A pesquisa da Thomson Reuters funciona como um termômetro do grau de maturidade jurídica do país diante da maior reestruturação tributária das últimas décadas. Apesar dos avanços na análise técnica, o desafio central está em transformar conhecimento em estratégia, combinando tecnologia, formação de talentos e planejamento jurídico.
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Com a entrada em vigor do IVA dual em 2026, a advocacia brasileira se prepara para um novo ciclo de complexidade regulatória e oportunidades de inovação. A capacidade de antecipar riscos e oferecer soluções jurídicas sólidas será determinante para o protagonismo dos escritórios no ambiente tributário pós-reforma.