Recuperação judicial no agronegócio cresce 150% e bate recorde no 3º trimestre

Da redação de LexLegal
O volume de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro registrou um salto de aproximadamente 150% no terceiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2024. O levantamento, divulgado pela Serasa Experian nesta segunda-feira (15), aponta que esse é o maior patamar da série histórica iniciada em 2021. Em relação ao segundo trimestre de 2025, o avanço foi de 11,15%. O cenário tem gerado cautela no mercado financeiro e provocado um endurecimento nas condições de crédito para o setor.
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Dificuldade no fluxo de caixa
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o movimento reflete o agravamento da situação financeira no campo. “O avanço dos pedidos de recuperação judicial evidencia um período mais desafiador sobre a capacidade de produtores rurais e empresas do setor de manterem seus fluxos de caixa e pagamentos, em especial para aqueles que já estão há alguns anos rolando dívida”, afirma. O executivo destaca que parte do setor mantém débitos acumulados sem reduzir despesas ou reavaliar ativos para conter expansões mal estruturadas. Pimenta reforça que, diante do risco, “é importante o credor reforçar a relevância da análise de crédito com base em dados”.
Crédito mais rigoroso
A alta nas solicitações de proteção judicial tem gerado uma retração na oferta de recursos. Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, afirmou recentemente que este fator é o principal entrave para o financiamento agrícola atual, levando bancos a adotarem critérios mais seletivos. Campos também criticou a atuação de consultorias jurídicas que sugerem a recuperação como uma saída simples, mas que muitas vezes não resolve os problemas estruturais do produtor. No terceiro trimestre, produtores que operam como pessoa física registraram 255 pedidos, contra 106 no ano anterior.
Soja lidera solicitações
O perfil das solicitações revela que arrendatários e grupos familiares somaram 84 pedidos, enquanto grandes proprietários foram responsáveis por 69 requisições entre as pessoas físicas. Já na categoria de pessoa jurídica, o total chegou a 242 pedidos no trimestre, superando amplamente os 92 registrados no mesmo intervalo de 2024.
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Entre as empresas do setor, o cultivo de soja concentra o maior volume de processos, com 156 solicitações, seguido pela pecuária, que contabilizou 45 pedidos de recuperação judicial. A tendência de alta nos processos judiciais deve manter o setor bancário em estado de alerta para as próximas safras, priorizando produtores com maior transparência contábil.