Recuo na conta de luz alivia inflação, mas índice segue acima do limite da meta

Da redação de LexLegal
A inflação oficial desacelerou com força em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,09%, o menor resultado para o mês em 27 anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE. Em setembro, o índice havia sido de 0,48%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,68%, abaixo dos 5,17% registrados até setembro, mas ainda acima do teto da meta — que permite até 4,5%.
O principal fator de alívio no indicador veio da conta de luz. A energia elétrica residencial caiu 2,39%, o que retirou 0,1 ponto percentual do IPCA do mês. A queda é resultado da mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para patamar 1, reduzindo o adicional cobrado a cada 100 kWh — de R$ 7,87 para R$ 4,46. O mecanismo é acionado pela Aneel para compensar o uso de termelétricas, que produzem energia mais cara quando o nível dos reservatórios hidrelétricos está baixo.
No grupo alimentação e bebidas, que pesa mais no orçamento das famílias, houve estabilidade (0,01%) após quatro meses de queda.
A pressão da meta
Mesmo com a desaceleração, o IPCA acumula 13 meses consecutivos fora do intervalo de tolerância do governo. O descolamento do centro da meta tem sido uma das justificativas para o Banco Central manter a taxa Selic em 15%, o maior patamar desde 2006. Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e funcionam como freio para conter a alta de preços.
De acordo com o boletim Focus desta semana, o mercado projeta inflação de 4,55% ao fim de 2025, com a Selic encerrando o ano nos mesmos 15%.
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Metodologia
O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O levantamento abrange 377 produtos e serviços, coletados em dez regiões metropolitanas — incluindo São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Salvador — além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.