Recuo na conta de luz alivia inflação, mas índice segue acima do limite da meta

Recuo na conta de luz alivia inflação, mas índice segue acima do limite da meta
Recuo na bandeira tarifária contribuiu para a menor inflação de outubro desde 1998, segundo o IBGE/Agência Brasil
Publicado em 11/11/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

A inflação oficial desacelerou com força em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,09%, o menor resultado para o mês em 27 anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE. Em setembro, o índice havia sido de 0,48%. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,68%, abaixo dos 5,17% registrados até setembro, mas ainda acima do teto da meta — que permite até 4,5%.

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O principal fator de alívio no indicador veio da conta de luz. A energia elétrica residencial caiu 2,39%, o que retirou 0,1 ponto percentual do IPCA do mês. A queda é resultado da mudança da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para patamar 1, reduzindo o adicional cobrado a cada 100 kWh — de R$ 7,87 para R$ 4,46. O mecanismo é acionado pela Aneel para compensar o uso de termelétricas, que produzem energia mais cara quando o nível dos reservatórios hidrelétricos está baixo.

No grupo alimentação e bebidas, que pesa mais no orçamento das famílias, houve estabilidade (0,01%) após quatro meses de queda.

A pressão da meta

Mesmo com a desaceleração, o IPCA acumula 13 meses consecutivos fora do intervalo de tolerância do governo. O descolamento do centro da meta tem sido uma das justificativas para o Banco Central manter a taxa Selic em 15%, o maior patamar desde 2006. Juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e funcionam como freio para conter a alta de preços.

De acordo com o boletim Focus desta semana, o mercado projeta inflação de 4,55% ao fim de 2025, com a Selic encerrando o ano nos mesmos 15%.

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Metodologia

O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O levantamento abrange 377 produtos e serviços, coletados em dez regiões metropolitanas — incluindo São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Salvador — além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

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