Rações contaminadas matam 245 cavalos em 4 estados

Rações contaminadas matam 245 cavalos em 4 estados
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 14/07/2025 às 15:30

Da redação de Lexlexgal

Ao menos 245 cavalos morreram após consumir rações produzidas pela Nutratta Nutrição Animal, conforme investigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que aponta falha no controle da matéria-prima utilizada. “Em todas as propriedades investigadas os equinos que adoeceram ou vieram a óbito consumiram produtos da empresa. Já os animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes”, diz o Mapa, com base nas análises realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA).

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As análises laboratoriais identificaram a presença de alcaloides pirrolizidínicos – em especial a monocrotalina –, substâncias altamente tóxicas que estão, segundo o ministério, “incompatíveis com a segurança alimentar animal”. A contaminação teve origem na inclusão de restos de plantas do gênero crotalaria na composição das rações.

Contaminação e riscos

O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, destaca que mesmo pequenas quantidades da substância podem acarretar graves danos neurológicos e hepáticos. Por isso, enfatiza, “a legislação é clara: ela [a substância encontrada] não pode estar presente em nenhuma hipótese” nas rações destinadas a animais.

Em razão da constatação, o Mapa instaurou processo administrativo fiscalizatório, aplicou auto de infração e determinou a suspensão cautelar da fabricação e comercialização das rações destinadas a equídeos pela Nutratta Nutrição Animal. Posteriormente, essa suspensão foi estendida a produtos para todas as demais espécies.

Disputa judicial e recolhimento

Mesmo com a interdição, a Nutratta obteve autorização judicial para retomar parte da produção voltada a outras espécies. O Mapa, porém, recorreu da decisão, anexando novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário e a necessidade de manutenção das medidas preventivas. As autoridades federais acompanham o processo para garantir o recolhimento dos lotes contaminados.

A reportagem solicitou posicionamento da Nutratta Nutrição Animal, que ainda não se manifestou oficialmente.

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