Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder do Irã

Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder do Irã
Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, assume liderança suprema do Irã em meio à escalada militar na região/Mojtaba Khamenei
Publicado em 09/03/2026 às 6:30

Da redação de LexLegal

A escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã recolocou no centro do debate uma figura que durante décadas operou nos bastidores do regime. Filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, ele agora assume o posto mais poderoso da República Islâmica.

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A decisão foi tomada pela Assembleia de Especialistas do Irã, órgão responsável por escolher o líder supremo do país. O cargo concentra poder religioso, político e militar, incluindo o comando das Forças Armadas.

Na prática, o líder supremo é a autoridade máxima do sistema político iraniano. Ele tem influência sobre o Judiciário, sobre o governo e sobre instituições estratégicas do Estado. Mesmo sem ocupar cargos públicos formais, ele exercia influência dentro do gabinete do líder supremo, conhecido como Beit.

O Beit funciona como o núcleo real do poder no Irã. Embora o país tenha presidente e parlamento eleitos, muitas decisões estratégicas passam por esse centro político ligado diretamente ao líder supremo.

Analistas afirmam que Mojtaba construiu sua influência ao longo de décadas dentro das instituições políticas, religiosas e de segurança do regime. Um dos fatores centrais de seu poder são os vínculos com a Guarda Revolucionária do Irã. Essa força militar paralela funciona como o principal pilar de segurança do regime.

A Guarda Revolucionária controla setores estratégicos da economia, da inteligência e da defesa iraniana. A relação de Mojtaba com essa estrutura remonta à Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980. Durante o conflito, ele integrou o Batalhão Habib, uma unidade formada por voluntários ligados às redes revolucionárias do país.

Esse período foi decisivo para construir sua rede política. Muitos combatentes que lutaram ao seu lado mais tarde assumiram posições importantes na segurança e na inteligência iranianas. Essa rede de relações ajudou Mojtaba a consolidar influência dentro do regime ao longo das décadas seguintes.

Mesmo assim, sua ascensão ao posto mais alto do país gera debate dentro e fora do Irã. A Constituição iraniana exige que o líder supremo seja um especialista reconhecido em jurisprudência islâmica. Mojtaba estudou em seminários religiosos na cidade de Qom, um dos principais centros teológicos do país. Apesar disso, ele não possui o título de aiatolá, reservado a clérigos de maior prestígio.

Esse detalhe levanta questionamentos sobre sua legitimidade religiosa para ocupar o cargo. A sucessão também reacende críticas sobre possível concentração familiar de poder. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o sistema político iraniano sempre afirmou rejeitar modelos dinásticos.

Com a escolha de Mojtaba, pela primeira vez o poder passa diretamente de pai para filho dentro da liderança da República Islâmica.

A decisão também ocorre em meio a um cenário de guerra. Os Estados Unidos e Israel realizaram bombardeios recentes contra alvos estratégicos em território iraniano.

Nesse contexto, especialistas apontam que o regime buscou uma sucessão rápida para evitar disputas internas pelo poder. A prioridade seria manter a cadeia de comando intacta e garantir estabilidade dentro das forças militares e de segurança.

Para a liderança iraniana, preservar o funcionamento do sistema político é considerado prioridade absoluta. Essa lógica vem de um princípio defendido por Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

Segundo essa doutrina, preservar o sistema político do país é considerado a obrigação mais importante do Estado.

A chegada de Mojtaba Khamenei ao topo do poder ocorre em um dos momentos mais sensíveis da história recente do Irã. O país enfrenta pressões externas, crise econômica e crescente desgaste político interno.

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Para analistas internacionais, o novo líder terá que decidir entre dois caminhos principais. Um deles é manter a postura de confronto militar e político contra adversários externos. O outro é buscar negociações e concessões estratégicas para reduzir a pressão internacional sobre o regime.

Independentemente da escolha, Mojtaba assume o comando em um cenário de forte instabilidade regional e incerteza sobre o futuro da República Islâmica.

SÃO PAULO WEATHER