Quatro hospitais fecham em Gaza e ONU alerta para colapso da saúde

Quatro hospitais fecham em Gaza e ONU alerta para colapso da saúde
Tendas de deslocados em Gaza, enquanto hospitais fecham por falta de segurança e recursos/UNICEF/Mohammed Nateel
Publicado em 26/09/2025 às 14:30

Da redação de LexLegal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (26) que quatro hospitais em Gaza foram fechados apenas no mês de setembro, em meio à ofensiva militar israelense em Gaza City. Com isso, o território passa a contar com apenas 14 unidades em funcionamento, número considerado crítico pela agência da ONU.

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“Isso traz o total de hospitais em operação em Gaza para apenas 14… a situação nos oito hospitais restantes e em um hospital de campanha na cidade é crítica”, afirmou o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic.

O avanço das tropas israelenses, que têm como objetivo declarado desarticular combatentes do Hamas, tem provocado sucessivas ordens de evacuação na região. Milhares de pessoas foram deslocadas e instalações de saúde se tornaram alvos diretos ou indiretos. “Mesmo que os hospitais não sejam formalmente ordenados a evacuar, a violência nas proximidades pode tirá-los de serviço”, disse Jasarevic em coletiva em Genebra.

Gaza City concentra quase metade da estrutura hospitalar da Faixa de Gaza, funcionando como o eixo central do sistema de saúde local. No entanto, segundo a OMS, nenhuma das unidades do enclave opera em plena capacidade. Hospitais no sul, como os de Khan Younis e Deir al Balah, também estão sobrecarregados e incapazes de absorver o fluxo crescente de pacientes.

Os quatro hospitais fechados desde 1º de setembro são: Al Rantisi Children’s Hospital, Ophthalmic Hospital, St. John Eye Hospital e Hamad Hospital for Rehabilitation and Prosthetics. Este último era um dos três principais centros de reabilitação da região, atendendo cerca de 250 pacientes ambulatoriais e outras 200 pessoas feridas diariamente em pontos de estabilização de traumas.

Danos em hospital infantil

O caso mais grave ocorreu em 16 de setembro, quando o Al Rantisi Children’s Hospital sofreu um ataque direto. O bombardeio danificou tanques de água, sistemas de comunicação e equipamentos médicos, enquanto 80 pacientes estavam dentro do prédio. Embora não tenha havido mortes, metade dos pacientes deixou o local, mas cerca de 40 ainda permanecem, incluindo crianças em terapia intensiva e recém-nascidos.

O equipamento hospitalar foi transferido emergencialmente para outras unidades em Gaza City, como os hospitais Al Helou e As Sahaba.

Serviços à beira do colapso

Segundo a OMS, os hospitais que continuam abertos estão sem suprimentos básicos e atendem pacientes no chão, em corredores superlotados. A agência destacou a escassez de bolsas de sangue e kits de transfusão, alertando que, sem reposição urgente, os serviços podem parar em poucos dias.

Entre 7 e 17 de setembro, foram registrados 12 ataques contra instalações de saúde, 11 deles em Gaza City. Apenas um ocorreu em Khan Younis, no sul do enclave.

Apelo da ONU

“Mais violência significa mais feridos, mais mortes e menos acesso”, afirmou Jasarevic. Ele destacou que mais de 15 mil pessoas precisam ser evacuadas com urgência para tratamento especializado fora da região. “As evacuações estão acontecendo muito lentamente. Só podemos apelar por um cessar-fogo e por acesso irrestrito, para apoiar o que resta do sistema de saúde em Gaza com suprimentos médicos e equipes emergenciais”, completou.

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A OMS insiste que, sem um acordo humanitário, a continuidade mínima dos serviços de saúde em Gaza está ameaçada. Com informações da UN News.

SÃO PAULO WEATHER