Quarto episódio do podcast de LexLegal debate a advocacia de massa e os desafios e impactos da tecnologia no mundo do trabalho

Quarto episódio do podcast de LexLegal debate a advocacia de massa e os desafios e impactos da tecnologia no mundo do trabalho
Nosso editor, Luciano Teixeira (esq.), conversa com Lucrecia Oliveira, vice-presidente de Operações da Benner, e Magno Alves, diretor da Vertical Jurídica/LexLegal
Publicado em 27/06/2025 às 12:13

Da redação de LexLegal

LexLegal apresenta o quarto episódio do seu podcast Inteligência artificial: a revolução que vai transformar o mundo do trabalho, com um tema central nas discussões do Direito Digital: o impacto da inteligência artificial (IA) na privacidade e no futuro das relações de trabalho. No episódio “O futuro automação jurídica” o foco é a transformação provocada pela IA na advocacia de massa, que tem ganhado cada vez mais destaque no Brasil diante do imenso volume de processos que tramitam no Judiciário.

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De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o país ultrapassou 84 milhões de ações em andamento, boa parte delas relacionadas a questões repetitivas como consumo, serviços financeiros, planos de saúde e telefonia. Essa realidade tem impulsionado escritórios e departamentos jurídicos a buscarem soluções tecnológicas que aumentem a eficiência operacional. É nesse contexto que a automação jurídica e a inteligência artificial (IA) têm se tornado aliadas importantes para quem atua na gestão de demandas em larga escala.

O tema foi debatido no episódio 4 do podcast de LexLegal, que contou com a participação de Lucrecia Cristina Oliveira, vice-presidente de Operações da Benner, e Magno Alves, diretor da Vertical Jurídica. Eles abordaram de forma prática como a automação e a tecnologia tem impactado o cotidiano da advocacia, trazendo ganhos expressivos em produtividade, controle e redução de erros, além de contribuírem para o redesenho dos modelos de negócio no setor.

A advocacia em grande escala se caracteriza pela condução de milhares de processos semelhantes, muitas vezes envolvendo os mesmos fundamentos jurídicos e estratégias processuais. Diante desse cenário, torna-se indispensável padronizar rotinas, organizar fluxos e acompanhar prazos com precisão.

Segundo Lucrecia, a automação jurídica surge justamente como resposta a esse desafio: tarefas operacionais como a elaboração de petições padronizadas, o protocolo eletrônico de documentos e a classificação de intimações podem ser feitas por robôs de software (RPA), liberando os advogados para se concentrarem na análise estratégica dos casos. Ela destaca que a tecnologia ajuda o advogado a focar no que realmente importa: a estratégia jurídica. As atividades repetitivas podem ser automatizadas com segurança, reduzindo o tempo gasto e o risco de erro.

Na prática, essas soluções funcionam a partir de modelos de aprendizado de máquina (machine learning) que identificam padrões nos dados processuais e sugerem encaminhamentos. Robôs judiciais, por exemplo, são capazes de acessar portais de tribunais, extrair informações relevantes, classificar documentos e até mesmo iniciar respostas automáticas.

Mas, como ressalta Lucrecia, a automação não substitui o trabalho do advogado — ela potencializa sua atuação. Para a especialista, é também sobre ganho de inteligência, de visão estratégica. Os dados coletados pelos sistemas podem ser utilizados para gerar insights sobre o comportamento da justiça, o perfil das decisões e até mesmo a reputação de determinadas teses ou juízes.

Magno Alves explica que a automação pode reduzir em até 70% o tempo de execução de atividades rotineiras, sem comprometer a qualidade das entregas. Escritórios que antes dependiam de grandes equipes operacionais hoje conseguem operar com estruturas enxutas e foco analítico, graças à digitalização dos fluxos.

Ele cita como principais benefícios a redução de custos, a mitigação de erros humanos, o aumento da previsibilidade nos resultados e o melhor aproveitamento da capacidade intelectual das equipes jurídicas.

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Apesar dos ganhos, os especialistas alertam para os obstáculos que ainda dificultam a adoção em larga escala. O primeiro deles é a resistência cultural dentro dos próprios escritórios e departamentos jurídicos. “O que estamos mostrando é que a automação liberta o advogado da burocracia e o recoloca no centro da estratégia”, afirma Magno.

Outro desafio frequente é a falta de integração entre sistemas. Muitas organizações ainda utilizam softwares antigos que não se conectam de forma fluida com os tribunais, dificultando a automação plena dos processos. Além disso, a qualidade dos dados, a ausência de padronização documental e a necessidade de capacitação técnica das equipes são entraves que precisam ser enfrentados.

O episódio, que já está disponível no canal @LexLegalbrasil, também discute o futuro da inteligência artificial aplicada ao Direito. Com o avanço dos modelos generativos de linguagem, como os usados em assistentes virtuais e plataformas de redação automatizada, já é possível imaginar aplicações que vão além da automação tradicional.

Lucrecia acredita que a IA generativa poderá auxiliar na elaboração de petições personalizadas, na leitura preditiva de decisões judiciais e até mesmo no atendimento jurídico preliminar por meio de interfaces conversacionais. Mas ela faz uma ressalva importante: não se trata de simplesmente usar IA genérica. O uso responsável e eficaz da inteligência artificial na advocacia requer curadoria, treinamento específico com base em dados jurídicos e supervisão de especialistas. A tecnologia não pode ser uma caixa-preta.

Magno ressalta que esse movimento tecnológico exige um novo perfil de advogado. A atuação jurídica está se tornando cada vez mais interdisciplinar, exigindo habilidades em gestão de dados, pensamento analítico e capacidade de interagir com profissionais da área de tecnologia.

Com isso, não basta mais dominar o Direito. Segundo o especialista, é preciso entender de dados, processos, automação. O advogado do futuro será um gestor jurídico com visão analítica e capacidade de dialogar com desenvolvedores e cientistas de dados.

A transformação digital tem alterado inclusive os modelos de remuneração e contrato na advocacia de massa. Em vez da cobrança tradicional por hora trabalhada ou por peça elaborada, muitos escritórios têm adotado modelos baseados em indicadores de desempenho (KPIs), como número de processos encerrados, taxa de sucesso ou tempo médio de tramitação.

Esse modelo permite maior transparência, previsibilidade de custos e alinhamento com os objetivos de negócio dos clientes. Além disso, fortalece a cultura orientada por dados — o chamado modelo data-driven —, hoje fundamental para a tomada de decisões em qualquer setor da economia.

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Ao final do episódio, os especialistas destacam que a advocacia em grande escala pode ser muito mais do que uma operação repetitiva. Com o uso estratégico de dados, automação e inteligência artificial, é possível transformar a rotina em escala em uma atuação sofisticada, eficiente e com alto valor agregado.

“Estamos diante de uma revolução silenciosa. Escritórios e departamentos jurídicos que souberem usar a tecnologia com propósito sairão na frente, não apenas em produtividade, mas também em reputação, inovação e impacto real na justiça”, conclui Lucrecia Oliveira.

SÃO PAULO WEATHER