Quais os próximos passos do julgamento de Bolsonaro?

Quais os próximos passos do julgamento de Bolsonaro?
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante sessão no STF: julgamento pode redefinir o equilíbrio institucional e a configuração do campo conservador/Agência Brasil
Publicado em 16/07/2025 às 8:46

Da redação de LexLegal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou as alegações finais no processo que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. Num documento de 517 páginas, o procurador-geral Paulo Gonet descreve Bolsonaro como o “principal articulador” do esquema e pede condenações por crimes como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado — acusações que podem gerar penas superiores a 30 anos de prisão. A ação será julgada pela Primeira Turma do STF no segundo semestre.

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Com o envio das alegações finais, inicia-se a fase decisiva do processo. A defesa do delator Mauro Cid tem 15 dias para apresentar sua versão, seguida pelas defesas dos demais réus com prazo igual. Após isso, a Primeira Turma marcará a data da sessão de julgamento, que pode resultar em absolvição ou condenação, decidida por maioria dos cinco ministros. Em caso de condenação, eventuais recursos poderão ser apresentados ao próprio STF, embora as opções recursais sejam limitadas.

O rito a seguir e as etapas decisivas

  1. Fase das alegações finais – encerradas com a PGR, agora é a vez do delator Mauro Cid (15 dias), seguido pelas defesas dos demais acusados (outros 15 dias).
  2. Marcação do julgamento – a Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, dará o agendamento da sessão decisiva.
  3. Decisão – absolvição por falta de provas ou condenação quando a maioria considerar que houve tentativa de subversão democrática.
  4. Recursos – caso condenados, os réus poderão recorrer perante o próprio STF, ainda que com base recursal limitada.

O criminalista Welington Arruda destaca que uma eventual condenação de Bolsonaro reforçaria sua inelegibilidade, abriria caminho para ações cíveis e criminais adicionais, e prejudicaria sua base política. “Politicamente, reforça sua exclusão do cenário institucional, enfraquece sua base aliada e consolida uma transição de liderança na direita brasileira, com possível fragmentação ou reconfiguração do campo conservador”, afirma o advogado.

Para ele, o envio do processo transmite à sociedade a mensagem de que “ninguém está acima da lei” e completa: “O Judiciário busca reafirmar sua legitimidade e demonstrar que rupturas institucionais serão enfrentadas com resposta jurídica proporcional e firme”.

O sócio do YSN Advogados, Ricardo Yamin, reforça o teor institucional do processo. Para ele, a condenação de Bolsonaro representaria um marco histórico, pois seria o primeiro ex-presidente responsabilizado por tentativa de golpe — um contraponto ao perdão oferecido aos militares do Golpe de 1964.

“A principal consequência jurídica será sua prisão. Politicamente, os efeitos são difíceis de prever, mas já está inelegível por decisão do TSE, que não está vinculada a este caso”, observa. Segundo Yamin, o STF cumpre sua missão constitucional ao julgar o processo, deixando claro que o Brasil é uma democracia com poderes independentes, e que crimes serão devidamente apurados dentro do devido processo legal.

Analistas avaliam que, mesmo em caso de absolvição, o processo serve como importante sinal institucional. Comparações com outras democracias mostram que a responsabilização penal de ex-presidentes por ameaças ao ordenamento constitucional, ainda que rara, reforça a força das instituições. Nos Estados Unidos, por exemplo, o ex-presidente Donald Trump foi alvo de investigação após os ataques de 6 de janeiro de 2021, embora ainda não tenha enfrentado punições criminais.

Condenação

A eventual condenação de Bolsonaro traria consequências diretas e estruturantes. No campo eleitoral, confirmaria sua inelegibilidade e descartaria a possibilidade de disputar cargos públicos. No âmbito civil, abriria portas para ações por danos à sociedade e pedidos de ressarcimento contra o ex-presidente. No plano político, poderia causar uma reconfiguração da direita, com disputas internas por novas lideranças ou fortalecimento de figuras moderadas.

Caso Bolsonaro seja condenado, a decisão teria efeito direto em três frentes:

  1. Direitos Eleitorais – Inelegibilidade confirmada sem espaço para candidatura futura.
  2. Responsabilidade Civil – Exposição a ações por danos causados ao Estado e à sociedade.
  3. Reconfiguração Política – A direita brasileira tenderia a se dividir ou buscar renovação de lideranças.

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O risco de ressurgimento de narrativas de impunidade esbarra agora na completa tramitação do processo pelo STF. A Corte, organizada em cinco magistrados na Primeira Turma, decidirá por maioria entre absolver ou condenar, com direito a recursos restritos. Este julgamento é considerado um divisor de águas: consolida a responsabilização institucional pelo ataque à democracia e estabelece limites claros à retórica golpista no ambiente político nacional.

SÃO PAULO WEATHER