Modi, Putin e Xi exibem unidade e desafiam hegemonia ocidental

Modi, Putin e Xi exibem unidade e desafiam hegemonia ocidental
Narendra Modi, Vladimir Putin e Xi Jinping/X Narendra Modi
Publicado em 02/09/2025 às 9:13

José Renato Ferraz da Silveira*

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) são pilares para a construção de uma nova ordem global justa e multipolar. A declaração foi dada em entrevista à agência chinesa Xinhua, na qual Putin exaltou a parceria entre Moscou e Pequim. E a cena de abertura no encontro da Organização para Cooperação de Xangai (OCX): Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi aparecem lado a lado, exibindo unidade.

A reunião do Conselho dos Chefes dos Estados-membros da OCX é apontada como a maior da organização, com a participação de 20 países, que somam metade da população global e uma fatia significativa da economia mundial. Não há dúvida que esse fórum pretende ser alternativa à ordem liderada pelo Ocidente. É outro fórum que questiona a legitimidade da hegemonia norte-americana e do Ocidente.

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A China, como presidente desde julho de 2024, vai propor as medidas para fortalecer a resiliência financeira da OCX, incluindo transações em moedas nacionais e expansão do comércio eletrônico para mitigar sanções ocidentais. Os temas prioritários da reunião serão o desenvolvimento da economia verde e tecnologias de inteligência artificial (IA) para gerar a soberania tecnológica e competitividade dos Estados-membros.

Os documentos finais da cúpula – a Declaração de Tianjin e a Estratégia de Desenvolvimento da OCX até 2035 – estabelecerão uma visão comum para segurança, integração econômica e governança global, destacando a contribuição do bloco para um sistema mundial mais inclusivo e sustentável.

Destaca-se que é outro projeto protagonizado pela China em que utiliza uma plataforma multilateral soberana para segurança e diplomacia do Sul Global e para o fortalecimento de sua posição como superpotência.

Por outro lado, esse encontro entre Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi revela que a política externa de Trump fracassou. Em vez de isolar os adversários e principalmente a China, Trump empurra uma coalizão estratégica contra Washington.

Como afirma Oliver Stuenkel: “Xi declarou que China e Índia são “parceiras, não rivais”. Modi, por sua vez, ressaltou que a cooperação entre os dois países envolve os interesses de quase 3 bilhões de pessoas. O gesto é ainda mais significativo considerando o histórico recente de choques sangrentos na fronteira himalaia. Não se trata de uma reconciliação plena – Nova Déli continua desconfiada das intenções de Pequim, especialmente por seu apoio ao Paquistão e pelo enorme déficit comercial bilateral. Mas a simbologia é clara: a Índia prefere diversificar, ou hedgear, em vez de depender de um aliado instável”.

Durante décadas, democratas e republicanos em Washington trabalharam para aproximar a Índia dos Estados Unidos como contrapeso à ascensão chinesa. Essa construção bem calculada foi colocada em risco por decisões erráticas de Trump.

Vale enfatizar que Trump já errou em relação ao Brasil. A aproximação entre Brasil e China é cada vez maior e inevitável.

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O governo Trump 2.0 aprofunda parcerias estratégicas à margem da Casa Branca. A arrogância e a imprevisibilidade de Trump têm custos altos. O mundo caminha, de forma inexorável, para uma multipolaridade conflituosa.

*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2).

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