Produção de veículos deve crescer 3,7% em 2026, projeta Anfavea

Da redação de LexLegal
A produção de veículos no Brasil, que inclui automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, deve registrar crescimento de 3,7% em 2026, segundo projeção divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A expectativa é de que o desempenho seja puxado principalmente pelos veículos leves, como carros de passeio e utilitários, cuja fabricação deve avançar 3,8%.
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Além da produção, a entidade estima aumento de 2,7% no licenciamento desses veículos, indicador que mede o número de unidades efetivamente emplacadas e vendidas ao consumidor. Na prática, isso significa que o mercado interno deve continuar aquecido, ainda que em ritmo mais moderado do que o projetado anteriormente pela indústria.
“Continuamos com um ano de dificuldades”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, nesta quinta-feira (15), durante coletiva de imprensa em São Paulo. “Eu tenho dito que nós temos um otimismo contido para o setor automotivo. Isso porque os números vão continuar crescendo, mas os fatores de imprevisibilidade continuam. Nós temos fatores geopolíticos agora muito importantes que podem afetar a cadeia de fornecimento e nós temos um ano que antecede a entrada em vigor da reforma tributária. Teremos um ano em que nós precisamos ficar alertas e essa é razão pela qual nós estamos propondo revisar nossas projeções trimestralmente para ir acompanhando passo a passo os acontecimentos”, disse.
O dirigente ressaltou que, apesar do viés positivo, o cenário ainda é marcado por instabilidade internacional, riscos na cadeia global de suprimentos e incertezas regulatórias no mercado interno. Para o setor automotivo, qualquer mudança em impostos, regras de financiamento ou custos logísticos tem impacto direto na produção e no consumo.
Em 2025, a indústria automotiva brasileira produziu 2,6 milhões de veículos, crescimento de 3,5% em relação a 2024, o que manteve o país na oitava posição no ranking mundial de produção. Já as vendas internas somaram 2,69 milhões de unidades, alta de 2,1%, resultado que garantiu ao Brasil o sexto maior mercado consumidor do mundo.
Apesar dos números positivos, Calvet avaliou que o desempenho ficou abaixo das expectativas iniciais. A Anfavea projetava crescimento de 7,8% na produção e de 5% no licenciamento. “Nós tivemos um ano em que o mercado cresceu 2% e a produção cresceu 3%. Foi um ano de muita instabilidade, um ano em que nós tivemos questões geoeconômicas que influenciaram o setor”, afirmou.
O presidente da entidade destacou que variáveis macroeconômicas pesaram mais do que o previsto. “Então isso tudo impacta muito o setor, sem contar a taxa de juros. Quando fizemos a projeção, lá em 2024, tínhamos uma taxa de juros de 12%. Agora nós estamos com uma taxa de juros de 15%. O mercado automotivo é muito sensível a essas imprevisibilidades e isso tudo fez com que os números fossem menores, mas ainda assim foram números positivos para o setor”, completou.
No comércio exterior, o setor automotivo apresentou resultado expressivo em 2025. As exportações cresceram 32,1%, com quase 529 mil unidades embarcadas. O principal destaque foi a Argentina, para onde os envios aumentaram 85% em relação ao ano anterior.
“As exportações surpreenderam em 2025. Só para a Argentina o crescimento foi de 85% em relação a 2024. Nossos embarques ao exterior superaram as importações, que também foram em nível alto. Tivemos quase meio milhão de veículos importados no país no ano de 2025”, afirmou Calvet.
Para 2026, a Anfavea projeta crescimento mais modesto das exportações, em torno de 1,3%, refletindo um cenário internacional mais cauteloso e a necessidade de consolidação dos mercados já atendidos.
As importações, por sua vez, cresceram 6,6% em 2025, impulsionadas principalmente por veículos produzidos em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, como a China. O país asiático respondeu por 37,6% dos quase 498 mil veículos importados e emplacados no mercado brasileiro no ano passado.
Segundo Calvet, a tendência é que parte dessas importações seja substituída por produção nacional a partir de 2026. “Neste ano a gente até acredita que as importações vão diminuir, porque há novos entrantes no mercado e esses novos entrantes projetam o início das suas produções agora no ano de 2026. Logo, o que antes era importado, passará a ser produzido no país, o que é um excelente movimento”, disse.
Ainda assim, ele alertou para os desafios no comércio exterior. “Nós vamos ter um ano ainda bastante desafiador na esfera do comércio exterior com a nossa possibilidade de avançar em acordos importantes e fortalecer a nossa relação com a Argentina e também com a Colômbia, que é um parceiro com quem tivemos problemas de acordo comercial no último ano”.
Outro ponto de atenção é a reforma tributária. Calvet afirmou que a indefinição das alíquotas que incidirão sobre o setor automotivo dificulta o planejamento das montadoras. “Nós não sabemos ainda qual a alíquota que vai incidir sobre cada um dos nossos produtos, sobre o portfólio de produtos. Isso há menos de um ano da entrada em vigor da reforma tributária”, afirmou.
Ele acrescentou que a dificuldade de previsibilidade afeta investimentos de médio e longo prazo. “E neste ano também temos um grande desafio que é o desafio de acessar novos mercados. Nós temos tradicionalmente parceiros importantes na região da América do Sul e que têm sido tomados por outros concorrentes internacionais”, disse.
No segmento de caminhões, o cenário é mais delicado. A produção caiu 46,4% em 2025 e os emplacamentos recuaram 9,2%. Para Calvet, a explicação passa diretamente pelo custo do crédito. “Caminhões têm uma correlação muito forte com o PIB. Se o PIB cresce, em princípio o mercado de caminhões teria que crescer, já que grande parte de nossa produção é escoada pelo modal rodoviário. Então o setor de caminhões deveria crescer, mas o que constrange o setor hoje no Brasil são as altas taxas de juros”, afirmou.
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Nesse contexto, ele destacou a importância do programa Move Brasil, anunciado pelo governo federal, que cria linhas de crédito específicas para a compra de caminhões com condições financeiras mais favoráveis. “Recentemente nós tivemos o anúncio de uma importante medida provisória que é o Move Brasil e que dá uma linha de crédito com condições em termos de taxas muito boas. Nós entendemos que essa é uma medida desfibrilatória para a economia brasileira e que envolve o setor de caminhões”, declarou.
“Então acreditamos que essa é uma medida que vai fazer com que as quedas expressivas do setor parem nesse começo de ano”, concluiu o presidente da Anfavea.