Produção de veículos cai 12% em janeiro e setor eletrificado bate recorde

Da redação de LexLegal
A indústria automotiva brasileira iniciou 2026 com retração na atividade fabril e nas vendas. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a produção recuou 12% em relação a janeiro do ano passado, totalizando 159,6 mil unidades.
Leia também: Magistério é atividade de risco? Os limites da responsabilidade objetiva trabalhista
As vendas somaram 170,5 mil licenciamentos, o que representa uma estabilidade relativa perante janeiro de 2025, com leve queda de 0,4%. O licenciamento é o registro oficial que autoriza o veículo a circular, gerando o número da placa. O resultado foi impactado pelo setor de veículos pesados: as vendas de ônibus e caminhões despencaram mais de 31%.
Em contraste com o mercado de combustíveis fósseis, os veículos eletrificados (híbridos e elétricos) atingiram a marca histórica de 16,8% do total de vendas no país. Do total de 27 mil unidades emplacadas nessa categoria, cerca de 35% já são fabricadas em solo brasileiro, reduzindo a dependência de modelos totalmente importados.
“É o melhor percentual da série histórica. Tivemos aproximadamente o emplacamento de mais de 27 mil unidades e 9,6 mil desse total foram produzidas aqui no Brasil”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.
No comércio exterior, as exportações caíram 18,3% na comparação anual. O principal motivo foi a menor demanda da Argentina, principal parceiro comercial do setor, que reduziu suas compras em 5%. A Anfavea monitora se o movimento sinaliza uma desaceleração econômica prolongada no país vizinho.
O setor também repercutiu o fim da isenção de impostos para kits de veículos desmontados (SKD), sistema em que o carro chega quase pronto para uma montagem simples. A medida atinge montadoras como a chinesa BYD. Para a Anfavea, o fim do benefício é positivo pois obriga as empresas a investirem em fábricas completas no Brasil.
“Eu comemoro isso por acreditar que a não-prorrogação estimula a produção local. Ao não prorrogar nós todos estamos no caminho de sofisticar nossa produção, internalizar e gerar mais emprego aqui. Essa é uma posição em defesa da produção nacional”, ressaltou Igor Calvet.
Veja também: Justiça condena banco por usar montagem para forjar assinatura de idosa
Sobre incentivos fiscais, o presidente da entidade descartou a renovação do programa Carro Sustentável. O motivo é a transição para a Reforma Tributária em 2027, que prevê a extinção progressiva do IPI, imposto que era zerado para veículos de entrada com alta eficiência energética dentro do programa.